Em eras mui recuadas, quando o Douro era ainda terra de contendas e de sangue, jaziam as gentes de Penaguião sob o jugo cruel dos mouros.
Os sarracenos, para melhor firmarem seu domínio, haviam erguido fortaleza no cimo da penha - lugar áspero e bravo, de penedos agudos e matos cerrados, donde podiam vigiar as aldeias em redor e conter o povo em servidão.
Durante longos anos sofreram os moradores tributos pesados e desonras mil, gemendo em silêncio e esperando o dia em que o Céu lhes enviasse libertadores.
Foi então que, vindos de terras distantes, apareceram dois irmãos cristãos, de alta linhagem e coração valente: D. Rausendo e D. Thedom. [1]
Rausendo e Thedom eram homens eram de fé pura e ânimo varonil, que punham o amor à terra acima da própria vida. Vendo o padecer do povo, firmaram entre si o propósito de desalojar os infiéis e reconquistar o castelo. [Segundo Frei Bernardo de Brito, na Monarchia Lusytana, D. Rausendo e D. Thedom eram filhos de D. Erminges Alboazar, netos do Infante D. Alboazar Ramires e bisnetos do rei de Leão D. Ramiro II.] [2]
Em segredo ajuntaram os mais ousados da povoação e, sob a luz escassa de archotes, traçaram o seu intento.
Antes da empresa, recolheram-se a orar, pedindo ao Altíssimo fortuna e força para levar a cabo tão arriscada façanha.
Então D. Rausendo falou aos companheiros, dizendo: - Varões de Penaguião, ouvi-me bem! Quando virdes o guião tremular no alto da penha, avançai sem temor, que a entrada estará livre e o castelo será nosso!
Chegada a noite de lua cheia, puseram-se em marcha. Subiram a encosta em silêncio, de espada na cinta e coração fervente. O vento gemia entre os penedos, e o luar alumiava-lhes o caminho, ora claro, ora turvo. Chegados ao sopé da muralha, lançaram cordas às ameias e treparam como sombras.
As sentinelas mouras, colhidas de surpresa, mal tiveram tempo de clamar; logo tombaram sob o fio das lâminas cristãs.
Então D. Thedom correu a abrir as portas do castelo, enquanto D. Rausendo, subindo à torre de menagem, içava com gesto firme o guião da fé, que se ergueu altaneiro contra o firmamento.
E bradou, com voz que rompeu o silêncio da noite: - Pena! Guião!
A senha fora dada.
Os varões escondidos na encosta ouviram o grito e, inflamados de coragem, arremeteram pela ladeira acima. As portas abriram-se de par em par, e os mouros, tomados de espanto, não lograram resistir ao ímpeto dos cristãos. O barulho provocado pela armas encheu o vale; mas breve tudo cessou, e a bandeira da cruz tremulava sobre as ameias do castelo.
Foi assim reconquistada Penaguião.
E dizem que o brado de “Na penha... o guião!”, lançado naquela noite de glória, ecoou de tal modo pelos montes e vales que ficou gravado no coração dos homens e na memória das gerações.
Com o tempo, as palavras da senha - "Penha Guião" - se uniram num só nome, que ficou sendo o da terra libertada: Penaguião.
E ainda hoje, quando o vento sopra das vinhas ao cimo dos montes e passa pelas ruínas do velho castelo, parece trazer, no seu murmúrio antigo, o eco distante desse grito de bravura e redenção: - Na penha... o guião!
10.11.2025, por Monteiro deQueiroz & IA
Texto e imagem produzidos por IA, baseados em duas lendas existentes conforme "REF.ªs" sob a orientação de #porMdQ - Monteiro deQueiroz & Lendas e Narrativas D'Ouro (anterior LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO)
[https://lendasenarrativasdouro.blogspot.com] [https://www.facebook.com/LendasENarrativasDOuro]
REF.ªs:
[1]
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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
[https://lendasenarrativasdouro.blogspot.com]
APL 3688
Source: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.320-321, Year: 2002
Place of collection: Lobrigos (São João Baptista), Santa Marta de Penaguião, Vila Real
in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020]
in Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
in https://lendasenarrativasdouro.blogspot.com/2020/12/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao-d.html
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APL 934
Source: FERREIRA, Joaquim Alves Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999, p.131-132 Place of collection: Louredo, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
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APL 934
Source: FERREIRA, Joaquim Alves Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999, p.131-132 Place of collection: Louredo, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020]
in Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
in https://lendasenarrativasdouro.blogspot.com/2021/01/santa-marta-de-penaguiao-d-tedo-e-d.html
[2]
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TEDO ERMIGES & ROSENDO ERMIGES, LIBERTADORES DE PENAGUIÃO – ANOS XXX DO SÉC. XI
TEDO ERMIGES & ROSENDO ERMIGES, LIBERTADORES DE PENAGUIÃO – ANOS XXX DO SÉC. XI [𝐶𝑂𝑁𝑇𝑅𝐼𝐵𝑈𝑇𝑂 𝐻𝐼𝑆𝑇Ó𝑅𝐼𝐶𝑂 𝐺𝐸𝑁𝐸𝐴𝐿Ó𝐺𝐼𝐶𝑂] Monteiro de Queiroz (ESTUDOS), Douro, 1 de Agosto de 2018 Associação Penaguião em Movimento by Douro Sensibility – LUGares D’Ouro – Notícias do Douro
D. Thedom e D. Rausendo – ...
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D.Tedo e D.Rosendo, 27 de julho de 2019
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