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LENDA DA TOMADA DO CASTELO DE PENAGUIÃO AOS MOUROS - Década de 1030 d.C.


Em eras mui recuadas, quando o Douro era ainda terra de contendas e de sangue, jaziam as gentes de Penaguião sob o jugo cruel dos mouros.

Os sarracenos, para melhor firmarem seu domínio, haviam erguido fortaleza no cimo da penha - lugar áspero e bravo, de penedos agudos e matos cerrados, donde podiam vigiar as aldeias em redor e conter o povo em servidão.

Durante longos anos sofreram os moradores tributos pesados e desonras mil, gemendo em silêncio e esperando o dia em que o Céu lhes enviasse libertadores.

Foi então que, vindos de terras distantes, apareceram dois irmãos cristãos, de alta linhagem e coração valente: D. Rausendo e D. Thedom. [1]

Rausendo e Thedom eram homens eram de fé pura e ânimo varonil, que punham o amor à terra acima da própria vida. Vendo o padecer do povo, firmaram entre si o propósito de desalojar os infiéis e reconquistar o castelo. [Segundo Frei Bernardo de Brito, na Monarchia Lusytana, D. Rausendo e D. Thedom eram filhos de D. Erminges Alboazar, netos do Infante D. Alboazar Ramires e bisnetos do rei de Leão D. Ramiro II.] [2]

Em segredo ajuntaram os mais ousados da povoação e, sob a luz escassa de archotes, traçaram o seu intento.

Antes da empresa, recolheram-se a orar, pedindo ao Altíssimo fortuna e força para levar a cabo tão arriscada façanha.

Então D. Rausendo falou aos companheiros, dizendo: - Varões de Penaguião, ouvi-me bem! Quando virdes o guião tremular no alto da penha, avançai sem temor, que a entrada estará livre e o castelo será nosso!

Chegada a noite de lua cheia, puseram-se em marcha. Subiram a encosta em silêncio, de espada na cinta e coração fervente. O vento gemia entre os penedos, e o luar alumiava-lhes o caminho, ora claro, ora turvo. Chegados ao sopé da muralha, lançaram cordas às ameias e treparam como sombras.

As sentinelas mouras, colhidas de surpresa, mal tiveram tempo de clamar; logo tombaram sob o fio das lâminas cristãs.

Então D. Thedom correu a abrir as portas do castelo, enquanto D. Rausendo, subindo à torre de menagem, içava com gesto firme o guião da fé, que se ergueu altaneiro contra o firmamento.

E bradou, com voz que rompeu o silêncio da noite: - Pena! Guião!

A senha fora dada.

Os varões escondidos na encosta ouviram o grito e, inflamados de coragem, arremeteram pela ladeira acima. As portas abriram-se de par em par, e os mouros, tomados de espanto, não lograram resistir ao ímpeto dos cristãos. O barulho provocado pela armas encheu o vale; mas breve tudo cessou, e a bandeira da cruz tremulava sobre as ameias do castelo.

Foi assim reconquistada Penaguião.

E dizem que o brado de “Na penha... o guião!”, lançado naquela noite de glória, ecoou de tal modo pelos montes e vales que ficou gravado no coração dos homens e na memória das gerações.

Com o tempo, as palavras da senha - "Penha Guião" - se uniram num só nome, que ficou sendo o da terra libertada: Penaguião.

E ainda hoje, quando o vento sopra das vinhas ao cimo dos montes e passa pelas ruínas do velho castelo, parece trazer, no seu murmúrio antigo, o eco distante desse grito de bravura e redenção: - Na penha... o guião!

10.11.2025, por Monteiro deQueiroz & IA

Texto e imagem produzidos por IA, baseados em duas lendas existentes conforme "REF.ªs" sob a orientação de #porMdQ - Monteiro deQueiroz & Lendas e Narrativas D'Ouro (anterior LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO)
[https://lendasenarrativasdouro.blogspot.com] [https://www.facebook.com/LendasENarrativasDOuro]

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REF.ªs:

[1]
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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
[https://lendasenarrativasdouro.blogspot.com]

APL 3688

Source: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.320-321, Year: 2002
Place of collection: Lobrigos (São João Baptista), Santa Marta de Penaguião, Vila Real

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020]
in Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
in https://lendasenarrativasdouro.blogspot.com/2020/12/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao-d.html

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APL 934

Source: FERREIRA, Joaquim Alves Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999, p.131-132 Place of collection: Louredo, Santa Marta de Penaguião, Vila Real

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020]
in Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
in https://lendasenarrativasdouro.blogspot.com/2021/01/santa-marta-de-penaguiao-d-tedo-e-d.html

[2]
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ISSUU.COM
TEDO ERMIGES & ROSENDO ERMIGES, LIBERTADORES DE PENAGUIÃO – ANOS XXX DO SÉC. XI
TEDO ERMIGES & ROSENDO ERMIGES, LIBERTADORES DE PENAGUIÃO – ANOS XXX DO SÉC. XI [𝐶𝑂𝑁𝑇𝑅𝐼𝐵𝑈𝑇𝑂 𝐻𝐼𝑆𝑇Ó𝑅𝐼𝐶𝑂 𝐺𝐸𝑁𝐸𝐴𝐿Ó𝐺𝐼𝐶𝑂] Monteiro de Queiroz (ESTUDOS), Douro, 1 de Agosto de 2018 Associação Penaguião em Movimento by Douro Sensibility – LUGares D’Ouro – Notícias do Douro
D. Thedom e D. Rausendo – ...
[https://issuu.com/monteirodequeiros/docs/libertadores_de_penaguiao_s_c_xi_2]

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D.Tedo e D.Rosendo, 27 de julho de 2019
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LENDAS E NARRATIVAS D'OURO
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COLECTÂNEA - RECOLHA

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“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

(c) 2020 - 2025 Eduardo José Monteiro deQueiroz
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A LENDA DO LAPADAS [III] Soneto para um mítico herói


LAPADAS

(Soneto para um mítico herói de Santa Marta de Penaguião)

Senhor de enorme força, talento às carradas...
As certeiras grossas lapas tinhas por fuzil.
E, por isso, te chamaram o Lapadas,
Luso-herói afrontador da corja vil!

Lá do alto dos penhascos do Marão,
Sobranceiros às terras de Santa Marta,
Distribuías, com vigor, lapada à farta...
Aos estrangeiros saqueadores do nosso pão!

Sentinela do nosso torrão, intrépido cuidador,
Ao indesejado intruso mostraste teu vigor...
Guerreiro atento, soberano guardião!

Os vindouros não olvidaram tua coragem...
E te ergueram pétrea-estátua, em homenagem,
No ilustre palacete da Câmara de Penaguião!


Entroncamento/Tomar - 1 de Junho de 2017


Autor: Alfredo Martins Guedes

Publicado por Alfredo Guedes em ‘Freguesia de Lobrigos, São Miguel e São João Baptista, e Sanhoane’ - https://www.facebook.com/freguesialobrigosesanhoane/
26 de dezembro de 2017

Publicado em https://www.facebook.com/alfredo.guedes.75
24 de abril de 2019
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Foto1: (c) 2011 ADzivo
Foto2: (c) Alfredo Martins Guedes
Recolha de Monteiro deQueiroz
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LENDAS E NARRATIVAS D'OURO
COLECTÂNEA - RECOLHA

SANTA MARTA ]

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A LENDA DO LAPADAS [II] E SÃO MIGUEL ARCANJO


'Reza a lenda que numa noite de luar de se enxergar a altas horas da noite e abertura de pipos de vinho novo no armazém de cada um, a rapaziada passeava-se na estrada de macadame em frente à quinta dos 'rolas' em Santa Marta, freguesia de São Miguel de Lobrigos...

Ávidos das habituais 'maroteiras' e movidos pela aposta do acerto na pontaria dirigida à espada de São Miguel Arcanjo (estatueta no frontal do telhado do palacete, agora edifício sede do município) e à 'lapada' (pedras ladeiras do tamanho de uma mão) alguma dessas almas da freguesia, deferiu em rude acerto com estrondo e precisão, golpe irremediável na dita espada, desfazendo-a em pedaços bem mais minguados que todas as lapadas que ficaram pelo esventrado telhado. Ficou assim o arcanjo em vez de, com uma espada empunhada, uma 'lapada' na sua mão.

No raiar do dia vindo, o espanto e o falatório não continha em cada frase outra entoação que não fosse a palavra 'lapada' ou o arcanjo de lapada na mão.'

por Norberto Teixeira
20 de junho de 2019
https://www.facebook.com/norberto.teixeira/posts/2923441954349180
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'Nós conversamos na juventude sobre isso, esta história foi-me contada há 40 anos pelo Ni Rola, como sabes é um descendente da família proprietária da casa depois vendida à Câmara, história essa que era contada pelo avô dele.'

por Norberto Teixeira
@norberto.teixeira
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Nota: "Miguel (em hebraico: מִיכָאֵל, Micha'el or Mîkhā'ēl; em grego: Μιχαήλ, Mikhaíl; em latim: Michael or Míchaël; em árabe: میکائیل, Mikā'īl) é um nome atribuído na Bíblia a um anjo ou arcanjo, numa posição de líder de exércitos celestiais. É um dos três anjos mencionados por nome na Bíblia, juntamente com Rafael no livro de Tobias e Gabriel no evangelho de S.Lucas, e é o único chamado de arcanjo. É o anjo do arrependimento e da justiça. É comemorado pela Igreja Católica sob o nome de São Miguel Arcanjo no dia 29 de Setembro." 
in [https://lifestyle.sapo.pt/astral/espiritualidade/artigos/sao-miguel-arcanjo], [r.20.mar.2021]

Recolha de Monteiro deQueiroz, [20.jun.2019]
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A LENDA DO LAPADAS [I]

Tenho uma muito ténue ideia de ter ouvido há já imenso tempo, no meu seio familiar, que 'O Lapadas' tinha sido um nobre e valoroso guerreiro penaguiota que, em tempos já esquecidos, tinha corrido os invasores destas Terras de (Santa Marta de) Penaguião 'à lapada'. E que dessa forma conseguiu com que o povo ficasse livre dessa gente estrangeira e opressora. Daí ter ficado para a história lendária como 'O Lapadas'!

Será que sonhei com esta lenda (versão) que vos acabo de contar?

Será que esta versão terá a ver, muito longinquamente, com a Lenda de Dom Thedom e Dom Rausendo?

Questionei e pesquisei na rede sobre o assunto e pouca informação consegui obter para além das versões dos meus amigos Alfredo Guedes e Norberto Teixeira, às quais junto contributos dos também amigos António Pereira e Eugénia Gouveia e do blogue 'Portugal tem piada!'
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VERSÕES OBTIDAS:

1ª.a.
LAPADAS

(Soneto para um mítico herói de Santa Marta de Penaguião)

Senhor de enorme força, talento às carradas...
As certeiras grossas lapas tinhas por fuzil.
E, por isso, te chamaram o Lapadas,
Luso-herói afrontador da corja vil!

Lá do alto dos penhascos do Marão,
Sobranceiros às terras de Santa Marta,
Distribuías, com vigor, lapada à farta...
Aos estrangeiros saqueadores do nosso pão!

Sentinela do nosso torrão, intrépido cuidador,
Ao indesejado intruso mostraste teu vigor...
Guerreiro atento, soberano guardião!

Os vindouros não olvidaram tua coragem...
E te ergueram pétrea-estátua, em homenagem,
No ilustre palacete da Câmara de Penaguião!


Entroncamento/Tomar - 1 de Junho de 2017

Autor: Alfredo Martins Guedes

Publicado por Alfredo Guedes em ‘Freguesia de Lobrigos, São Miguel e São João Baptista, e Sanhoane’ - https://www.facebook.com/freguesialobrigosesanhoane/
26 de dezembro de 2017

Publicado em https://www.facebook.com/alfredo.guedes.75
24 de abril de 2019
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1ª.b.
«O Guerreiro Lapadas com a sua pedra na mão!!! Segundo a história "ganhou" uma batalha à pedrada.
Ouvi essa história muitas vezes amigo! Trabalhei em frente a essa estátua durante 9 anos... Via-a todos os dias, e era essa a história que contavam!»

por Antonio Pereira
@antonio.pereira.92754
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1ª.c.
«Não sei é lenda só sei que eu tinha medo que me atirasse a pedra e corria a sete pés.
Era eu pequenina, ia com a minha irmã levar o almoço ao meu pai que trabalhava na adega, ia de Lobrigos a Santa Marta a pé, tinha sempre medo do Lapadas já lá vão uns quarenta e tais.»

por Eugénia Gouveia
@eugenia.gouveia.509
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1ª.d.
«O que você precisa é de umas boas lapadas!
Não me diga que nunca tinha ouvido falar deste guerreiro (e vinho) de Santa Marta de Penaguião...


in blogue 'Portugal tem piada!', 22.jan.2013
[http://portugaltempiada.blogspot.com/2013/01/o-que-voce-precisa-e-de-umas-boas.html]
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O LAPADAS...
segundo Norberto Teixeira


«A origem de...
'O Lapadas'

Pela sua relação direta com os penaguienses e salvo melhor opinião...

Reza a lenda que numa noite de luar de se enxergar a altas horas da noite e abertura de pipos de vinho novo no armazém de cada um, a rapaziada passeava-se na estrada de macadame em frente à quinta dos 'rolas' em Santa Marta, freguesia de São Miguel de Lobrigos...

Ávidos das habituais 'maroteiras' e movidos pela aposta do acerto na pontaria dirigida à espada de São Miguel Arcanjo (estatueta no frontal do telhado do palacete, agora edifício sede do município) e à 'lapada' (pedras ladeiras do tamanho de uma mão) alguma dessas almas da freguesia, deferiu em rude acerto com estrondo e precisão, golpe irremediável na dita espada, desfazendo-a em pedaços bem mais minguados que todas as lapadas que ficaram pelo esventrado telhado. Ficou assim o arcanjo em vez de, com uma espada empunhada, uma 'lapada' na sua mão.

No raiar do dia vindo, o espanto e o falatório não continha em cada frase outra entoação que não fosse a palavra 'lapada' ou o arcanjo de lapada na mão.»

por Norberto Teixeira
20 de junho de 2019
https://www.facebook.com/norberto.teixeira/posts/2923441954349180

«Nós conversamos na juventude sobre isso, esta história foi-me contada há 40 anos pelo Ni Rola, como sabes é um descendente da família proprietária da casa depois vendida à Câmara, história essa que era contada pelo avô dele.»

por Norberto Teixeira
@norberto.teixeira
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3ª
Em relação à palavra 'lapa' há quem atribua a sua origem ao celta 'lappa' que remete a 'pedra' ou 'rochedo'. Se 'lapa' = 'pedra', também 'lapada' será = 'pedrada'. Tenho também a ideia de que 'lapada' seja sinónimo de 'bofetada', talvez por confusão com 'latada'.

A Oés-noroeste - ONO da Vila de Santa Marta existe referência a um vale, o "Vale da Lapa", inserido na denominação "Quinta do Vale da Lapa", com a seguinte georreferenciação: 
(DMS) 41°13'05.2"N 7°49'00.6"W; 
(DD) 41.218107, -7.816821; 
(Plus Code / Código+) 659M+67 Medrões.

Poderá a origem do nosso mítico Lapadas ter a ver com a Lapa que deu origem ao Vale da Lapa?


Fotos da Lapa

Foto 2

Foto 3

Foto 4
  
Foto 5
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Créditos:
Foto1 - (c) 2011 ADzivo
Imagem1 - São Miguel Arcanjo, pintura de Juan de Espinal
Imagem2 mapa - 2021 Monteiro deQueiroz/My Maps/Google
Foto2a5 - (c) 2021 Monteiro deQueiroz 
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Monteiro deQueiroz
TEXTOS, ESTUDOS, RECOLHAS e CONTRIBUTOS...
Colectânea de Textos e Outros...
"SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?"
[https://docsdequeiroz.blogspot.com]
[https://docsdequeiroz.blogspot.com/2020/11/quem-foi-o-lapadas.html][p.21.nov.2020]
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LENDA DOS TÁVORAS


Távora - D. Tedo & D. Rausendo


Conta a lenda que, no século XI, dois irmãos, D. Tedo e D. Rausendo, há muito que tentavam conquistar o castelo de Paredes da Beira, que estava na posse do mouro de Lamego.

Cansados do insucesso, resolveram arquitetar um plano para a conquista definitiva da fortaleza.

Numa manhã do dia de S. João, esperaram que os mouros saíssem do castelo para se banharem nas águas do Távora, como habitualmente faziam, e entraram no castelo com o seu exército disfarçados de mouros. Mataram a maior parte dos homens que lá tinham ficado.

Apesar de terem sido avisados por alguns mouros que tinham conseguido escapar, os que festejavam no rio foram atacados e mortos por D. Tedo. O vale do rio passou a ser chamado de "Vale D'Amil" em lembrança dos mouros que tinham sido "mortos aos mil".

A lenda diz que os dois irmãos tomaram a partir da batalha o apelido de Távora, em memória do rio onde se tinha desenrolado a vitória, e adotaram nas suas armas a imagem de um golfinho sobre as ondas, simbolizando a vitória de D. Tedo.

Etiquetas: D. Tedo e D. Rausendo, Lenda dos Távoras, Mouros e Cristãos, Reconquista

In “Lenda dos Távoras”, in Infopédia, Porto: Porto Editora, 2003-2021, https://www.infopedia.pt/$lenda-dos-tavoras, [c.26.01.2021]
Recolhida por Monteiro deQueiroz, [r.26.01.2021]
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LAMEGO


Lamego

Pelos annos 1062, era rei de Lamego um mouro chamado Al-Boazan. Tinha uma filha, chamada Ardinga ou Ardínia, que se enamorou do cavalleiro christão, D. Thedon Ramirez (vide Granja do Tédo), filho do infante Alboazar Ramirez (o Cid) e neto de D. Ramiro II de Leão. (Vide Ancora, rio; Calle e Gaia).

Fugiu a moirinha ao pae, vestida de homem, com uma sua collaça por companheira, em busca de D. Thedon.

Chegou a uma ermida, perto do rio Tavora, que era da invocação do apostolo S. Pedro (hoje S. Pedro das Águias) e ahi, vendo um eremitão, chamado Gelasio, lhe disse quem era e a que vinha, dizendo-lhe tambem que se queria fazer christan.

O anachoreta a instruiu nos mysterios da religião christan e a baptisou promettendo-lhe que D. Thedon casaria com ella; o que não teve effeito, porque o pae veio aqui dar com ella e a matou, afogando-a no rio Tavora.

D. Thedon sentiu grande pezar pela morte de Ardinga, prometteu não casar, e cumpriu a promessa.

D’ahi a alguns annos, vindo D. Thedon de obter uma grande victoria contra os mouros, foi surprehendido por uma grande partida d’elles, que, depois de encarniçada resistencia, o mataram junto a um rio, que desde então tomou o seu nome – Thedon – que ainda conserva com pouca alteração, pois se chama Tédo.
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Etiquetas: D. Tedo e D. Rausendo, Lamego, São Domingos, Queimada Ardinga ou Ardínia, Mouros
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APL 2808 - [1]
Fonte: Pinho Leal, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de - Portugal Antigo e Moderno Lisbon, Livraria, Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873], p.Tomo IV, pp. 37-38
Local de Recolha: Lamego, Viseu

in https://lendarium.org/pt/apl/toponimos/lamego/, [r.25.01.2021][1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
Recolhida por Monteiro deQueiroz, [r.25.01.2021]
Imagem da Net

Foto: (c) Rui Albuquerque
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SANTA MARTA DE PENAGUIÃO (D. TEDO E D. RAUSENDO II)


Santa Marta de Penaguião, hoje Concelho do Distrito de Vila Real, foi, segundo diz a lenda, invadida e dominada pelos sarracenos, os quais, para consolidarem a sua permanência, construíram um castelo, lá no alto da encosta, agora coberta de cepas e de oliveiras, mas, nessa altura, cheia de espessos matagais.

Dali, podiam facilmente defender-se de possíveis tentativas para os desalojar e, ao mesmo tempo, vigiar os habitantes das aldeias em redor.

A posição quase inacessível do castelo e a força poderosa dos seus ocupantes mantinham os autóctones em forçada submissão e tiravam-lhe a veleidade de esboçar qualquer gesto de revolta.

Além disso, faltava-lhes um chefe capaz de aproveitar o seu descontentamento e de aglutinar as energias dispersas, para conseguir pôr fim ao domínio odioso dos invasores.

Por isso, os suportavam, embora interiormente revoltados, esperando pacientemente o dia em que ele surgisse e desse corpo ao seu sonho de liberdade.

E esse dia chegou com o aparecimento de dois intrépidos fidalgos, irmãos no sangue e no valor, que ali se fixaram, vindos não se sabe donde, e se mostraram decididos a chefiar a revolta contra os indesejáveis filhos de Maomé.

Eram eles D. Telo e D. Rausendo, homens de antes quebrar que torcer, que punham o amor à terra acima do amor à vida e o pundonor acima do egoísmo.

Inconformados com aquela situação desonrosa, depois de auscultarem a vontade popular, conceberam um plano astucioso, para o assalto ao castelo.

Escolheram os mais audazes, distribuíram-lhes armas, deram-lhes as instruções necessárias e marcaram o dia do combate.

Quando esse dia chegou, juntaram-se na capela onde estava a imagem de Santa Marta de quem eram muito devotos. Aí, suplicaram-lhe protecção para aquela empresa santa, mas arriscada, e comprometeram-se a dar o seu nome àquela região se os ajudasse a alcançar a vitória contra os infiéis.

Depois, fizeram as últimas recomendações e, ao anoitecer, começaram a caminhar em direcção ao castelo, em rigoroso silêncio, protegidos pela escuridão.

Chegados ao alto, esperaram que as sentinelas adormecessem e, quando sentinelas e soldados descansavam tranquilamente nos braços de Morfeu, D. Telo e D. Rausendo destacaram-se do grupo e avançaram para a fortaleza.

D. Telo atirou uma corda às ameias junto das portas, enquanto D. Rausendo lançava outra às ameias junto da torre de menagem. Depois de escalarem a muralha, o primeiro desceu pela corda para o interior e abriu as portas de par em par, ao mesmo tempo que o segundo subia à torre onde içou o guião que levava consigo.

Depois, quebrou o silêncio da noite, gritando com toda a força: Pena! Guião!

Era a senha pré-estabelecida que queria dizer: bandeira no castelo.

A estas palavras, os companheiros, que estavam próximos, irromperam como um furacão pelas portas escancaradas e esmagaram rapidamente os sarracenos que não tiveram tempo de esboçar qualquer resistência.

Era o fim da tirania dos muçulmanos e o princípio da liberdade dos cristãos.

Então, para cumprirem a promessa feita à sua Padroeira, deram, por aclamação unânime, às terras de toda aquela região o nome de terras de Santa Marta e acrescentaram-lhe as palavras da senha: Pena Guião.

E foi assim que nasceu o nome completo, que ainda permanece: Santa Marta de Penaguião.
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APL 934 - Ref.ª [1]

Source: FERREIRA, Joaquim Alves Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999, p.131-132 Place of collection: Louredo, Santa Marta de Penaguião, Vila Real

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020] [1]
[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

[Louredo]

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
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2020 - 2021
PENAGUIÃO

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SANTA MARTA DE PENAGUIÃO (D. TEDO E D. RAUSENDO I)


São João de Lobrigos

Diziam os mais antigos que as origens de Santa Marta de Penaguião estão ligadas aos irmãos D. Rausendo e D. Tedo, dois heróis muito famosos nas terras do Douro, onde combateram os mouros expulsando-os da região.

Conta a lenda que os mouros, quando invadiram estas terras, construíram uma fortaleza num morro próximo da vila, onde já só há ruínas. Aí dificilmente alguém se atreveria a combatê-los. Só com muita coragem.

E coragem era o que não faltava a D. Rausendo e D. Tedo. Por isso, o povo, cansado do domínio dos mouros e dos seus tributos, um dia pediu-lhes ajuda. E os dois irmãos não hesitaram em responder ao apelo.

Em segredo, juntaram numa noite de lua cheia os mais audazes da povoação, e colocaram-nos num local estratégico a meio da encosta. E os dois irmãos, com uma bandeira nas mãos, disseram:
− Esta bandeira será o vosso guião! Quando a virdes colocada na penha, avançai que a entrada estará livre. E Santa Marta, vossa padroeira, há-de acompanhar-nos!

Os dois escalaram então o castelo, e surpreenderam os mouros que estavam de sentinela, matando-os sem que tivessem podido dar o alarme. E de seguida, enquanto um dos irmãos abriu as portas do castelo, o outro foi ao alto da penha e colocou a bandeira bem à vista.

Nisto, no esconderijo da ladeira, um dos moradores logo deu o alerta aos companheiros:
− Vejam! Na penha... o guião!

Foi o bastante para que todos irrompessem pela encosta, entrando no castelo, onde, pela surpresa e com o auxilio de D. Rausendo e D. Tedo, venceram os mouros, expulsando os que escaparam com vida.

E àquele grito de alerta − “na penha... o guião! − se deve o nome que, primeiro, foi “Penha-guião” e, depois, se simplificou em Penaguião. E porque a bandeira os guiou e Santa Marta os acompanhou, depressa a vila ficou com o nome de Santa Marta de Penaguião.
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APL 3688 - Ref.ª [1]

Source: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.320-321
Year: 2002
Place of collection: Lobrigos (São João Baptista), Santa Marta de Penaguião, Vila Real

Narrative
When: 12 Century,

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
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