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LENDA DOS TÁVORAS


Távora - D. Tedo & D. Rausendo


Conta a lenda que, no século XI, dois irmãos, D. Tedo e D. Rausendo, há muito que tentavam conquistar o castelo de Paredes da Beira, que estava na posse do mouro de Lamego.

Cansados do insucesso, resolveram arquitetar um plano para a conquista definitiva da fortaleza.

Numa manhã do dia de S. João, esperaram que os mouros saíssem do castelo para se banharem nas águas do Távora, como habitualmente faziam, e entraram no castelo com o seu exército disfarçados de mouros. Mataram a maior parte dos homens que lá tinham ficado.

Apesar de terem sido avisados por alguns mouros que tinham conseguido escapar, os que festejavam no rio foram atacados e mortos por D. Tedo. O vale do rio passou a ser chamado de "Vale D'Amil" em lembrança dos mouros que tinham sido "mortos aos mil".

A lenda diz que os dois irmãos tomaram a partir da batalha o apelido de Távora, em memória do rio onde se tinha desenrolado a vitória, e adotaram nas suas armas a imagem de um golfinho sobre as ondas, simbolizando a vitória de D. Tedo.

Etiquetas: D. Tedo e D. Rausendo, Lenda dos Távoras, Mouros e Cristãos, Reconquista

In “Lenda dos Távoras”, in Infopédia, Porto: Porto Editora, 2003-2021, https://www.infopedia.pt/$lenda-dos-tavoras, [c.26.01.2021]
Recolhida por Monteiro deQueiroz, [r.26.01.2021]
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LENDAS E NARRATIVAS D'OURO
COLECTÂNEA - RECOLHA

[Távoras]

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
MARÃO | DOURO | CORGO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
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LAMEGO


Lamego

Pelos annos 1062, era rei de Lamego um mouro chamado Al-Boazan. Tinha uma filha, chamada Ardinga ou Ardínia, que se enamorou do cavalleiro christão, D. Thedon Ramirez (vide Granja do Tédo), filho do infante Alboazar Ramirez (o Cid) e neto de D. Ramiro II de Leão. (Vide Ancora, rio; Calle e Gaia).

Fugiu a moirinha ao pae, vestida de homem, com uma sua collaça por companheira, em busca de D. Thedon.

Chegou a uma ermida, perto do rio Tavora, que era da invocação do apostolo S. Pedro (hoje S. Pedro das Águias) e ahi, vendo um eremitão, chamado Gelasio, lhe disse quem era e a que vinha, dizendo-lhe tambem que se queria fazer christan.

O anachoreta a instruiu nos mysterios da religião christan e a baptisou promettendo-lhe que D. Thedon casaria com ella; o que não teve effeito, porque o pae veio aqui dar com ella e a matou, afogando-a no rio Tavora.

D. Thedon sentiu grande pezar pela morte de Ardinga, prometteu não casar, e cumpriu a promessa.

D’ahi a alguns annos, vindo D. Thedon de obter uma grande victoria contra os mouros, foi surprehendido por uma grande partida d’elles, que, depois de encarniçada resistencia, o mataram junto a um rio, que desde então tomou o seu nome – Thedon – que ainda conserva com pouca alteração, pois se chama Tédo.
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Etiquetas: D. Tedo e D. Rausendo, Lamego, São Domingos, Queimada Ardinga ou Ardínia, Mouros
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APL 2808 - [1]
Fonte: Pinho Leal, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de - Portugal Antigo e Moderno Lisbon, Livraria, Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873], p.Tomo IV, pp. 37-38
Local de Recolha: Lamego, Viseu

in https://lendarium.org/pt/apl/toponimos/lamego/, [r.25.01.2021][1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
Recolhida por Monteiro deQueiroz, [r.25.01.2021]
Imagem da Net

Foto: (c) Rui Albuquerque
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LENDA DA PLANTAÇÃO DA PRIMEIRA VINHA NO DOURO

Imagem 1
LENDA DE SANTA MARTA
Painel central do vitral existente na Casa do Douro, Peso da Régua

Santa Marta de Penaguião - São Miguel de Lobrigos

[LENDA-NARRATIVA FICCIONADA DE AUTOR]

Reza a lenda que num belo dia, em plena Idade Média, um nobre cavaleiro francês, o Conde de Guião, que andava em campanhas por Terras do Douro e Marão, mandou queimar uma capela localizada algures nas terras montanhosas de Pinna Guian.

Após ter cometido tão grande sacrilégio apareceu-lhe Santa Marta. O Conde, envergonhado, não quis enfrentar a Santa, rodopiou levemente sobre si para a esquerda e tapou a face com a mão direita.

A Santa questionou o Conde pela sua afronta e sentenciou-lhe um castigo: a partir daquela data iria plantar uma vinha de raiz e cuidar dela. Deixava assim de ser um nobre guerreiro e passaria a ser um simples vitivinicultor, um homem do povo.

Arrependido e humilhado, o Conde destapou os olhos e reparou que tinha a seus pés um corvo, ave profética e sagrada, símbolo do mal.

Virando-se para a cultura da vinha a fim de cumprir a pena que lhe fora sentenciada, o Conde, agora o "Vitivinicultor Guião", foi cumprindo, contrariado, ao longo dos anos e até ao fim da sua vida a sua dura penitência. Antes nada tinha produzido para além de guerrear, matar e saquear. E granjear a vinha é duro! Só mesmo quem conhece do ofício é que sabe! Três meses de Inverno e nove de Inferno, assim fala o povo destas paragens. E trabalhar durante o inverno, e no inferno, não é "pera doce" nem para qualquer um!

No fim da sua primeira vindima, ao ver o fruto do seu trabalho, a Guião até os olhos se lhe brilharam de felicidade. Pela primeira vez via o produto do seu árduo, duro e justo trabalho de anos: os cachos de uvas da sua vinha; o resultado do seu suor. E uma vinha não produz logo no seu primeiro ano.

Entretanto, a capela antes incendiada já tinha sido reconstruída. Guião ofereceu então, reconhecido, à Santa as primeiras uvas da sua primeira vindima, fruto do seu trabalho, produto do cumprimento da sua pena. Dessa forma, Guião, agradecia e pedia também à Santa o seu perdão final. 

O Conde estava perdoado. A Santa tinha-o perdoado. Podia então morrer em paz.

Eis então que desaparece o corvo, símbolo do mal, dando lugar a três pombas brancas e a um cordeiro que representam a paz e a pureza, símbolos do bem.

Diz o povo destas paragens que o Conde de Guião foi o primeiro homem a granjear a vinha na região, que, séculos mais tarde, se veio a tornar na primeira região demarcada vitivinícola do mundo: a Região Demarcada do Douro. 

Os durienses, aqueles que trabalharam e ainda trabalham a vinha, foram e ainda são os verdadeiros herdeiros do Conde de Guião. E não se esqueceram dele: todos os anos, no seu feriado municipal, os santa-martenses costumam representar a sua "Lenda Fundacional" ao ar livre na Praça Principal da Vila, junto ao Edifício Municipal; e há quem afirme que este será o resultado da evolução, somando os melhoramentos aos aumentos, durante séculos, do inicial "abrigo" do Vitivinicultor Guião. Talvez parte das suas fundações sejam ainda os alicerces originais do Palácio do Conde de Guião, de Guion, ou de Guillon, conforme as versões. Será a evolução do antigo "palacio francisco" dos tempos de El-Rei Dom Afonso Henriques?

Esta lenda encontra-se representada no painel central do vitral existente na Casa dos Durienses Vitivinicultores, sita na Cidade do "Peso da Régua, Capital do Douro e Cidade do Vinho" - Imagem 1.


Imagem 2
Parte do vitral, lado esquerdo do painel central, onde estão representados
a Capela a arder, Santa Marta, o Conde de Guião e o corvo.

Imagem 3
Parte do vitral, lado direito do painel central, onde estão representados
o Conde de Guião a oferecer as uvas à Santa, o Cordeiro e as 3 pombas.

Adaptação de Monteiro deQueiroz, [dia 21, ano 21, séc. 21]
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Nota 1: “Pinna Guian”
In delimitação do Couto da Albergaria do Marão, criado em Março de 1134 por D. Afonso Henriques, doc. do Arquivo Distrital de Braga, Gaveta de Coutos e Honras, n.º 2. / por PARENTE, João, Idade Média no Distrito de Vila Real, Tomo I, pág 101.
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Nota 2: Monte Penaguião = Fraga da Ermida / Marão
In Dei nomine. Ego rex domnus Sancius una cum filiis et filiabus meis facio tibi Bono Homini kartam de hereditate mea propria quam habeo in Pena Guian. Et est pernominata illa heremita de subtus monte Pena Guian quomodo diuidit cum Ferraria et de alia parte cum populatione de Fontes et de Crastelo et de Tauuadelo.” In Documentos de D. Sancho I, n.º 143, pp. 222 e 223. Chancelaria de D. Afonso III, livro 2, f. 30 v. / por PARENTE, João, Idade Média no Distrito de Vila Real, Tomo I, pág 201. 
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Nota 3: Conde de Guião 
3.a. Conde de Guião:
Não se conhece, que se saiba, quaisquer referências históricas ao Conde de Guião, também escriturado Guion ou Guillon, se seria realmente este o seu nome, se era de origem francesa ou até sequer se alguma vez existiu. Que tenhamos conseguido apurar, nem se sabe como surgiu a forma Guillon. Também não se sabe se se trata de um nome próprio ou de um apelido de família.

3.b. Sabemos que acompanhando o Conde Dom Henrique da Borgonha, mais tarde Conde de Portucale, pai do rei Dom Afonso Henriques, vieram à Península na passagem dos séculos XI para XII vários nobres franceses.

3.c. “palácio francisco” = “palácio francês”:
Na Carta de Doação da Ermida de Santa Comba, na margem esquerda do Corgo, de 24.abr.1138, emitida por Dom Afonso Henriques, é referido nas delimitações do couto um “palacio franscisco”, sendo que “francisco”, há data, significava francês. In Chancelaria de D. Afonso III, livro 2, f. 72 v.; Leitura Nova, livro 2, f. 260. / por PARENTE, João, Idade Média no Distrito de Vila Real, Tomo I, pág 112.

3.d. Guillon:
Em França, na região administrativa de Borgonha-Franco-Condado, existe uma comunna chamada Guillon (Guillon-Terre-Plaine).
Borgonha é a origem do Conde Dom Henrique, mais tarde Conde de Portucale, pai do rei Dom Afonso Henriques.

3.d.1: “Guillon é uma comuna francesa na região administrativa de Borgonha-Franco-Condado, no departamento de Yonne. Estende-se por uma área de 11,86 km². Em 2010 a comuna tinha 464 habitantes.”  in https://pt.wikipedia.org/wiki/Guillon, [r.21.jan.2021], Wikipédia, a enciclopédia livre.

3.d.2: “Guillon-Terre-Plaine é uma comuna da França, no departamento de Yonne. Foi instituído em 1 de janeiro de 2019 pela fusão das antigas comunas de Guillon (a sede), Cisery, Sceaux, Trévilly e Vignes.” in https://en.wikipedia.org/wiki/Guillon-Terre-Plaine, [r.21.jan.2021], Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Nota 4: Santa Marta
Marta, irmã de Lázaro e de Maria Madalena, três amigos de Jesus Cristo que viveram em Betânia, antiga Judeia, simboliza o trabalho e é representada iconograficamente como dona de casa diligente, sendo padroeira das donas de casa, com uma vassoura, uma concha de sopa, ou um molho de chaves na mão. O seu dia litúrgico celebra-se a 29 de Julho. O culto a Santa Marta liga-se a uma devoção anterior à Nacionalidade e bastante divulgado na Idade Média, sendo este culto um dos mais antigos na Península, sobretudo no norte de Portugal. 
in Net & in https://santamartadepenaguiao.wordpress.com/2011/03/29/hello-world/, [r.28.dez.2020]
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Nota 5: Santa Marta, hagiotopónimo (ou topónimo com o nome da Santa):
(O lugar de) Santa Marta, atual vila sede do Concelho de Santa Marta de Penaguião, aparece referenciada pela primeira vez em 27.set.1282, na Carta de Foro passada pelo Rei D. Dinis de um “herdamento (do Rei) que chamam Santa Marta do Julgado de Penagoyam”. In Chancelaria de D. Dinis, livro 1, f. 56 e 56 v. / por PARENTE, João, Idade Média no Distrito de Vila Real, Tomo II, pág 64.
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Nota 6: Capela de Santa Marta:
No Lugar do Alto, em Santa Marta de Penaguião, existe uma Capela dedicada a Santa Marta. Santa Marta é a padroeira da Região Demarcada do Douro, instituída com a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro em 10 de Setembro de 1756 por alvará de D. José I. In IVDP, https://www.ivdp.pt/consumidor/historia. [c.23.jan.2021]
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Nota 7: Vitral da Casa do Douro 
[Santa Marta] "Protectora da Região Demarcada do Douro, o papel de ofício utilizado pelo provedor e deputados da Junta da Administração da Companhia-Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (criada por Pombal, e instituída por alvará régio de 10 de Setembro de 1756) utilizava o Selo ou, como se diria hoje, o Logotipo da Instituição com a efígie da Santa e no fundo uma videira com a seguinte inscrição latina: "Providentia Regitur", que quer dizer: a Divina Providência governa (ou rege) tudo.
Santa Marta encontra-se reproduzida em belo vitral no edifício da Casa do Douro, no Peso da Régua, pela mão do Pintor Lino António. Este foi acabado em 1945 e sintetiza toda a dinâmica e beleza desta região, tem uma área aproximada de 50 m² formando um tríptico. No painel do centro podemos ver três grandes figuras.
A figura do centro representa a Casa do Douro, e mostra um pergaminho onde se lê "...Casa do Douro, decreto 21 883, Novembro de 1932". Quer isto dizer, que o governo, através do referido decreto-lei, cria a Federação Sindical dos Viticultores da Região do Douro, em Novembro de 1932, hoje Casa do Douro.
A figura [feminina] da esquerda representa a agricultura tendo aos seus pés uma enxada de ganchos. E a figura [masculina] da direita simboliza o comércio e tem na mão um caduceu. As figuras de mãos dadas simbolizam o pacto de honra e cavalheiros, entre a produção e o comércio do Vinho do Douro.
Na parte superior esquerda, está a capela devota de Santa Marta, padroeira do Douro."
in https://santamartadepenaguiao.wordpress.com/2011/03/29/hello-world/, [r.28.dez.2020]
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ESTA LENDA É UMA ADAPTAÇÃO LIVRE DE VÁRIAS VERSÕES DA LENDA DE SANTA MARTA
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por Monteiro deQueiroz, [Adaptação & Estudo][dia 21, ano 21, séc. 21]

Imagem da Net 1 - Foto de Vitor Neves - Excerto do vitral, painel central, existente no edifício da Casa do Douro, Peso da Régua, do Pintor Lino António, onde se encontra relatada a lenda. Vitral de 1945

Imagem da Net 2 - Excerto do vitral, parte esquerda do painel central, existente no edifício da Casa do Douro, Peso da Régua, do Pintor Lino António, onde se encontra relatada a lenda. Vitral de 1945

Imagem da Net 3 - Excerto do vitral, parte direita do painel central, existente no edifício da Casa do Douro, Peso da Régua, do Pintor Lino António, onde se encontra relatada a lenda. Vitral de 1945
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SANTA MARTA DE PENAGUIÃO (D. TEDO E D. RAUSENDO II)


Santa Marta de Penaguião, hoje Concelho do Distrito de Vila Real, foi, segundo diz a lenda, invadida e dominada pelos sarracenos, os quais, para consolidarem a sua permanência, construíram um castelo, lá no alto da encosta, agora coberta de cepas e de oliveiras, mas, nessa altura, cheia de espessos matagais.

Dali, podiam facilmente defender-se de possíveis tentativas para os desalojar e, ao mesmo tempo, vigiar os habitantes das aldeias em redor.

A posição quase inacessível do castelo e a força poderosa dos seus ocupantes mantinham os autóctones em forçada submissão e tiravam-lhe a veleidade de esboçar qualquer gesto de revolta.

Além disso, faltava-lhes um chefe capaz de aproveitar o seu descontentamento e de aglutinar as energias dispersas, para conseguir pôr fim ao domínio odioso dos invasores.

Por isso, os suportavam, embora interiormente revoltados, esperando pacientemente o dia em que ele surgisse e desse corpo ao seu sonho de liberdade.

E esse dia chegou com o aparecimento de dois intrépidos fidalgos, irmãos no sangue e no valor, que ali se fixaram, vindos não se sabe donde, e se mostraram decididos a chefiar a revolta contra os indesejáveis filhos de Maomé.

Eram eles D. Telo e D. Rausendo, homens de antes quebrar que torcer, que punham o amor à terra acima do amor à vida e o pundonor acima do egoísmo.

Inconformados com aquela situação desonrosa, depois de auscultarem a vontade popular, conceberam um plano astucioso, para o assalto ao castelo.

Escolheram os mais audazes, distribuíram-lhes armas, deram-lhes as instruções necessárias e marcaram o dia do combate.

Quando esse dia chegou, juntaram-se na capela onde estava a imagem de Santa Marta de quem eram muito devotos. Aí, suplicaram-lhe protecção para aquela empresa santa, mas arriscada, e comprometeram-se a dar o seu nome àquela região se os ajudasse a alcançar a vitória contra os infiéis.

Depois, fizeram as últimas recomendações e, ao anoitecer, começaram a caminhar em direcção ao castelo, em rigoroso silêncio, protegidos pela escuridão.

Chegados ao alto, esperaram que as sentinelas adormecessem e, quando sentinelas e soldados descansavam tranquilamente nos braços de Morfeu, D. Telo e D. Rausendo destacaram-se do grupo e avançaram para a fortaleza.

D. Telo atirou uma corda às ameias junto das portas, enquanto D. Rausendo lançava outra às ameias junto da torre de menagem. Depois de escalarem a muralha, o primeiro desceu pela corda para o interior e abriu as portas de par em par, ao mesmo tempo que o segundo subia à torre onde içou o guião que levava consigo.

Depois, quebrou o silêncio da noite, gritando com toda a força: Pena! Guião!

Era a senha pré-estabelecida que queria dizer: bandeira no castelo.

A estas palavras, os companheiros, que estavam próximos, irromperam como um furacão pelas portas escancaradas e esmagaram rapidamente os sarracenos que não tiveram tempo de esboçar qualquer resistência.

Era o fim da tirania dos muçulmanos e o princípio da liberdade dos cristãos.

Então, para cumprirem a promessa feita à sua Padroeira, deram, por aclamação unânime, às terras de toda aquela região o nome de terras de Santa Marta e acrescentaram-lhe as palavras da senha: Pena Guião.

E foi assim que nasceu o nome completo, que ainda permanece: Santa Marta de Penaguião.
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APL 934 - Ref.ª [1]

Source: FERREIRA, Joaquim Alves Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999, p.131-132 Place of collection: Louredo, Santa Marta de Penaguião, Vila Real

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020] [1]
[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
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SANTA MARTA DE PENAGUIÃO (D. TEDO E D. RAUSENDO I)


São João de Lobrigos

Diziam os mais antigos que as origens de Santa Marta de Penaguião estão ligadas aos irmãos D. Rausendo e D. Tedo, dois heróis muito famosos nas terras do Douro, onde combateram os mouros expulsando-os da região.

Conta a lenda que os mouros, quando invadiram estas terras, construíram uma fortaleza num morro próximo da vila, onde já só há ruínas. Aí dificilmente alguém se atreveria a combatê-los. Só com muita coragem.

E coragem era o que não faltava a D. Rausendo e D. Tedo. Por isso, o povo, cansado do domínio dos mouros e dos seus tributos, um dia pediu-lhes ajuda. E os dois irmãos não hesitaram em responder ao apelo.

Em segredo, juntaram numa noite de lua cheia os mais audazes da povoação, e colocaram-nos num local estratégico a meio da encosta. E os dois irmãos, com uma bandeira nas mãos, disseram:
− Esta bandeira será o vosso guião! Quando a virdes colocada na penha, avançai que a entrada estará livre. E Santa Marta, vossa padroeira, há-de acompanhar-nos!

Os dois escalaram então o castelo, e surpreenderam os mouros que estavam de sentinela, matando-os sem que tivessem podido dar o alarme. E de seguida, enquanto um dos irmãos abriu as portas do castelo, o outro foi ao alto da penha e colocou a bandeira bem à vista.

Nisto, no esconderijo da ladeira, um dos moradores logo deu o alerta aos companheiros:
− Vejam! Na penha... o guião!

Foi o bastante para que todos irrompessem pela encosta, entrando no castelo, onde, pela surpresa e com o auxilio de D. Rausendo e D. Tedo, venceram os mouros, expulsando os que escaparam com vida.

E àquele grito de alerta − “na penha... o guião! − se deve o nome que, primeiro, foi “Penha-guião” e, depois, se simplificou em Penaguião. E porque a bandeira os guiou e Santa Marta os acompanhou, depressa a vila ficou com o nome de Santa Marta de Penaguião.
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APL 3688 - Ref.ª [1]

Source: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.320-321
Year: 2002
Place of collection: Lobrigos (São João Baptista), Santa Marta de Penaguião, Vila Real

Narrative
When: 12 Century,

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
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