LENDA DO VINHO DO PORTO NEWMAN'S I



Douro

No outono de 1679, um barco com um carregamento de vinho do porto largou a cidade do Porto com destino a Londres. 

O que nessa época era frequente, a meio da viagem, foi atacado por um corsário francês a custo do qual conseguiu escapar, navegando para o alto mar. Acossado por violenta tempestade, afastou-se imenso da sua rota pelo que o capitão tomou a decisão de ir fundear em S. João da Terra Nova para reabastecimento e repouso da tripulação. 

Impossibilitados de prosseguir viagem devido ao rigor do inverno, só na primavera seguinte se fizeram de novo ao mar. Finalmente, chegados a Londres, constataram, com natural espanto, que a prolongada estadia na Terra Nova tinha dado ao vinho um aroma e um sabor agradavelmente diferentes.

Desde então, a companhia proprietária do carregamento passou a enviar anualmente grandes quantidades de vinho para envelhecer na Terra Nova. 

Assim surgiu este celebrado porto e esta espantosa lenda perpectuada nos rótulos das garrafas dos portos Newman's.
_______________ 

in
[1]
IRISPORTUS, https://irisportus.blogspot.com/p/lendas-do-porto.html, [jan.2013]

[2]
FONTE: Letras e Estudos Luso-Canadianos
(Postagem de Patrícia Rosas em tradicional@googlegroups.com)
Lendas de história e outras, também denominadas de fábulas. [22.jul.2006], https://tradicional3.blogs.sapo.pt/10954.html

Recolhida por Monteiro deQueiroz, [r.19.jan.2021]
Imagem da NET
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LENDAS E NARRATIVAS D'OURO
COLECTÂNEA - RECOLHA

[Douro]

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Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

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MARÃO | DOURO | CORGO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
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LENDA DO FRAGÃO DE S. LEONARDO


Galafura

Em S. Leonardo de Galafura há um lugar chamado Fragão, onde, segundo a tradição, um rei mouro encantou a sua filha usando umas palavras mágicas que diziam:
- Abre-te fraga, aqui fica a minha filha encantada até ao dia em que semearem linho sobre ti, fizerem com ele uma toalha e comerem sobre ela um jantar.
Um pastor, que estava ali perto e ouviu tudo, logo resolveu ser ele a desencantar a princesa. Procurou boa terra e encheu com ela o fragão, depois semeou linho, regou-o todos os dias, colheu-o, fez com ele uma toalha, e por fim comeu sobre ela um jantar.
Esperava ele, depois disto, que a princesa fosse desencantada. Mas enganou-se. É que faltavam as palavras mágicas. Tinha de as saber empregar correctamente. Por isso nada conseguiu, e a princesa lá continua encantada.
_______________

APL 3675 - [1]

Fonte: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.311-312
Ano: 2000
Local de recolha: Galafura, Peso da Régua, Vila Real
Informante: Maria Isabel Nantes (F), 51 anos

in https://www.lendarium.org/pt/apl/mouras/lenda-do-fragao-de-s-leonardo, [r.8.12.2021][1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
Imagem da Net

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LENDAS E NARRATIVAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
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[Galafura]

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A VELHINHA DO SONHO

A velhinha do sonho
Loureiro

Conta-se que em Loureiro, Peso da Régua, há muitos anos atrás algo de estranho se passou. Uma menina deitou-se certa noite como era seu costume. Durante o sono, começou a sonhar e no sonho aparece-lhe uma velhinha que lhe disse:
- Amanhã vou aparecer-te outra vez em sonhos para te dizer uma coisa muito importante. Não tenhas medo que eu não te faço mal. E não contes isto a ninguém, nem mesmo à tua mãe!
A menina acordou assustada e não contou nada a ninguém tal como a velhinha lhe pediu, porque pensou que, se contasse o seu sonho, ninguém iria acreditar.
O dia passou normalmente e depressa chegou a noite. Todos se deitaram e a meio da noite a menina começa a sonhar com a mesma mulher do sonho da noite anterior.
Então a velhinha disse à menina:
- Amanhã, à meia noite, vais levantar-te e vais à capela da Casa Grande. Por baixo do altar está uma pedra muito grande e pesada. Quando tocares na pedra, esta vai tornar-se leve como uma pena. Levantas a pedra e de lá vão sair muitas abelhas que depois se transformarão em ouro.
A menina acordou cheia de medo e no dia seguinte contou à mãe o que se tinha passado. A mãe disse-lhe que não fizesse nada do que a mulher do sonho lhe tinha dito para fazer.
Na noite seguinte, a velhinha voltou a aparecer no sonho da menina e disse-lhe que, como contou à mãe os sonhos das noites anteriores, o encanto se tinha quebrado.
A menina ficou contente por tudo aquilo ter acabado, mas pensou que, se tivesse vencido o medo, podia ter ganho muito ouro.

[Este conto é narrado no lugar de Travassos, freguesia de Loureiro do conselho do Peso da Régua e foi contado pela primeira vez pela menina que teve os sonhos. Esta menina já não é viva, tendo morrido com uma idade bastante avançada. Isto foi-me contado pela minha mãe, que é sobrinha da menina.]
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APL 960 - [1]

Fonte: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.TE3
Ano: 2000
Local de recolha: Loureiro, Peso da Régua, Vila Real
Informante: Iolanda Maria Machado Guedes (F)

in https://www.lendarium.org/pt/apl/tesouros-escondidos/a-velhinha-do-sonho, [r.8.12.2021][1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
Imagem da Net
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LENDAS E NARRATIVAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
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[Loureiro]

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O DESENCANTAMENTO DA PRINCESA EM FORMA DE SERPENTE


Galafura

Em tempos muito remotos... 
contam que num determinado local havia sido encantada uma bela mulher... na posse de um tesouro.
Para que o encantamento fosse quebrado e ela se casasse com o jovem e o qual também iria ficar com o tesouro com que se encontrava, algo de especial teria que acontecer: essa linda mulher aparecia em forma de serpente, subiria pelo pretendente e lhe daria um beijo... 
Só que jamais esse jovem poderia expressar alguma forma medo... 
Contam que a bela princesa lá continua até aos dia de hoje, pois não houve jovem capaz de tal proeza!
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Informante: Anabela Morais | Facebook, @anabela.morais.9, 52 anos, de Vila Marim e Vila Jusã; de São Miguel de Lobrigos. Estórias/lendas do meu avô materno, natural de Galafura, Concelho do Peso da Régua.
Recolhida por Monteiro deQueiroz, [r.16.jan.2021] 
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LENDAS E NARRATIVAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
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[Galafura]

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OS FIGOS E AS LIBRAS DE OURO


Galafura

[1] Os figos e as libras de ouro

Contam que certo dia um camponês, deslocando-se pelos montes, ficou pasmado ao verificar que se encontrava uma grande tela com figos a secar...
"Oh mêça! Neste lugar não avisto vivalma e estão figos a secar?"... Olhou em seu redor e não viu ninguém. Pensou em voz alta... "mas o caminho ainda é longo e meia dúzia de figos não irão fazer falta e para mim são um pouco de alento para o caminho"... na sua falta de avareza assim fez, pegou essa meia dúzia apenas e colocou-os no bolso, pedindo perdão pelo abuso e continuou caminho. Já um pouco longe mete a mão ao bolso para comer um dos figos e qual o seu espanto os figos eram agora libras de ouro. O homem pensou consigo, volto atrás e trago mais algumas... Assim o pensou e fez... Chegado ao local já lá não estava nada... E ouve uma voz... "Tarde demais, tivesses levado mais..."
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Informante: Anabela Morais | Facebook, @anabela.morais.9, 52 anos, de Vila Marim e Vila Jusã; de São Miguel de Lobrigos. Estórias/lendas do meu avô materno, natural de Galafura, Concelho do Peso da Régua.
Recolhida por Monteiro deQueiroz, [r.16.jan.2021]

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[2] Os figos de Dona Mirra

Um dia, um homem que tinha uma Quinta próxima do santuário de S. Leonardo de Galafura, concelho do Peso da Régua, passou junto à mina de Dona Mirra e viu, à entrada, uma manta de figos a secar. Apanhou uma mão deles e meteu-os ao bolso com a intenção de os comer ao "matar o bicho" no armazém [adega].
Contudo, quando meteu a mão ao bolso à procura dos figos, em lugar deles saíram-lhe libras de ouro. O homem esqueceu logo o "mata bicho" e foi a correr ao sítio onde tinha visto os figos a secar, para trazer o resto, só que já lá não encontrou nada. O que ouviu foi uma voz que lhe disse:
- Tivesses levado os figos todos!
Diz o povo que Dona Mirra é uma princesa encantada que tem à sua guarda um grande tesouro.
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APL 3674 - [1]

Fonte: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.311
Ano: 2000
Local de recolha: Galafura, Peso da Régua, Vila Real
Informante: Maria da Assunção de Azevedo Botelho (F), 43 anos

in https://www.lendarium.org/pt/apl/tesouros-encantados/os-figos-de-dona-mirra, [r.8.12.2021][1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
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AS GIESTAS E O ENCANTAMENTO DE UMA LINDA MULHER


Galafura

[1] Os nós das giestas e o encantamento de uma linda mulher de cabelos longos

Contavam os antigos... nossos antepassados, que aparecia com frequência num determinado local uma linda mulher de cabelos longos.
Os jovens que a viam ficavam “enfeitiçados” com tanta beleza.
A jovem ia percorrendo o caminho dando nós nas giestas... Os jovens iam correndo sempre ao seu encontro... 
Não percebendo que deveriam desatar os nós para quebrar o encantamento, a linda mulher ia assim aumentando-o, e cada nó feito só lhe dobrava o feitiço... ficando assim a donzela condenada ao seu encantamento.
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Informante: Anabela Morais | Facebook, @anabela.morais.9, 52 anos, de Vila Marim e Vila Jusã; de São Miguel de Lobrigos. Estórias/lendas do meu avô materno, natural de Galafura, Concelho do Peso da Régua.
Recolhida por Monteiro deQueiroz, [r.16.jan.2021]

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[2] A moura e as giestas

Conta-se que numa ocasião ia uma mulher de Galafura a passar num caminho situado no monte de S. Lourenço, quando encontrou uma menina que ocupava o seu tempo a atar as pontas das giestas de um lado ao outro do caminho, dificultando a passagem às pessoas. Perguntou-lhe a mulher:
- Ó menina, que estás a fazer?
- Olhe, tenho esta sina. Se ma quiser tirar, faço-a rica.
A mulher quis saber como, e então a menina, que era uma moura encantada, disse:
- A senhora só tem de desatar as giestas que eu estou a atar. E mal me consiga alcançar, quebra-me o encanto e livra-me desta sina.
A mulher aceitou. Então a menina continuou a atar as giestas e a mulher a desatá-las. O problema é que, por mais que esta as desatasse, de nada lhe adiantava, pois a outra mais depressa as atava. Diz o povo que ainda lá andam as duas: uma a desatar e a outra a atar.
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APL 3679 - [1]

Fonte: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.313
Ano: 2000
Local de recolha: Galafura, Peso da Régua, Vila Real
Informante: Maria Isabel Nantes (F), 51 anos

in https://www.lendarium.org/pt/apl/mouras/a-moura-e-as-giestas [r.8.12.2021][1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
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OS LAGARTOS DE DONA MIRRA

Galafura

Os mais antigos costumam contar que numa mina situada no monte de S. Leonardo de Galafura está encantada uma princesa moura muito rica. É Dona Mirra. E dizem também que é guardada por dois grandes lagartos. Por isso quem a quiser desencantar e ficar com as suas riquezas terá de matar primeiro os dois lagartos.
Contam ainda os antigos que se houver um jovem valente interessado em ir lá e vencer os lagartos, a princesa aparece-lhe transformada numa grande cobra. E então o jovem tem de deixar que ela suba por ele acima e lhe dê um beijo. Nesse momento o encanto quebra-se e o jovem fica com a princesa e com toda a sua riqueza, que está num palácio escondido debaixo do monte.
Só que, ao que se sabe, nunca houve ninguém assim, capaz de vencer os lagartos e depois deixar-se beijar pela cobra. Por isso, Dona Mirra lá continua encantada.
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APL 3678 - [1]

Fonte: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.312-313
Ano: 2000
Local de Recolha: Galafura, Peso da Régua, Vila Real
Informante: Maria Isabel Nantes (F), 51 anos

in https://www.lendarium.org/pt/apl/tesouros-encantados/os-lagartos-de-dona-mirra [r.8.12.2021][1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
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DONA MIRRA E O CAVALO DE TRÊS PATAS

[1] Dona Mirra e o cavalo de três patas
Galafura

Contava que certo dia a um menino, enquanto guardava o seu rebanho no pasto, apareceu uma linda senhora que lhe pediu - menino quando a tua mãe fizer o pão, pede- lhe que faça um pão com quatro cabeças, não digas o porquê e voltas cá para mo trazer... O menino assim fez...
A mãe embora curiosa fez o que este lhe pediu...
O menino pegou o pão e lá se deslocou para o local combinado.
O caminho um pouco longo, o menino ficou com fome e pensou... "vou comer uma das cabeças, não vai fazer falta..."
Assim pensou e o fez de seguida, comeu uma das cabeças e continuou o caminho... Chegado ao local combinado, chamou a linda senhora, mas infelizmente só ouviu uma voz de revolta e tristeza que lhe disse...
"Como queres que o meu encantamento se quebre e eu vá a galope num cavalo de três patas, pois tu comeste uma?"
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Informante: Anabela Morais | Facebook, @anabela.morais.9, 52 anos, de Vila Marim e Vila Jusã; de São Miguel de Lobrigos. Estórias/lendas do meu avô materno, natural de Galafura, Concelho do Peso da Régua.
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[2] O cavalo de três pernas (a moura Dona Mirra)
Galafura

Houve um rapaz que, ao saber que a moura Dona Mirra estava encantada numa mina situada no monte de S. Leonardo de Galafura, e sabendo também que outros já tinham lá ido tentar desencantá-la e fracassaram, resolveu ir à mourama para que lhe dissessem qual a forma mais correcta para a desencantar. Chegado à mourama deram-lhe uma bola de trigo de quatro cantos, e disseram-lhe:
- Levas esta bola ao sítio onde ela está encantada, e dizes assim: Dona Mirra aqui te apresento o teu desencanto.
O rapaz lá foi com o trigo dos quatro cantos, só que, como a viagem era muito longa, ao chegar ao meio do caminho a fome começou a apertar, e, vai daí, tratou logo de comer um dos cantos do trigo. Chegado à entrada da mina, disse:
- Dona Mirra, aqui te apresento o teu desencanto.
E de lá de dentro veio-lhe uma voz, muito triste, dizendo:
- E como poderia eu cavalgar num cavalo de três pernas?
De nada valeu ao rapaz tanto trabalho que teve, pois também ele a não conseguiu desencantar.
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APL 3680 - [1]

Fonte: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p. 313-314
Ano: 2000
Local de recolha: Galafura, Peso da Régua, Vila Real
Informante: Maria Isabel Nantes (F), 51 anos

in https://www.lendarium.org/pt/apl/mouras/o-cavalo-de-tres-pernas [r.8.12.2021][1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
Imagem da Net
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LENDAS E NARRATIVAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
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HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DAS ANTIGAS TERMAS DO MOLEDO

HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DAS ANTIGAS TERMAS DE FONTELAS
HISTÓRIA DE SANTA MAFALDA
Fontelas

Imagem 1

"Santa Mafalda veio de Argão para o Porto, mas ela ia fazer os retiros espirituais em Arouca. Quando vinha do Porto passou num mosteiro e mandou fazer uma ponte. Quando passou no sítio onde mais tarde se construíram as caldas banhou-se e viu que a água só era quente naquele sítio. Decidiu então mandar fazer aí umas termas para descansar. Foi a Santa Mafalda quem fundou as termas e quem deu o dinheiro para as mandar construir. Ela passava pelas Caldas muitas vezes, pelo menos duas vezes por ano, e dava esmolas aos pobres. Santa Mafalda morreu em Arouca e lá ficou enterrada. 
Quando eu era criança havia uma velhinha que me contou a vida de Santa Mafalda, e como ela fundou as termas. Disse que a mãe dela conheceu a Santa e que era linda e muito generosa. Era uma velhinha, mal me recordo dela."

Informante: ML, 39 anos, de Fontelas
Recolha: Monteiro deQueiroz, [r.11.jan.2021]


Imagem 2
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NOTAS DE APOIO:

[a]
MAFALDA DE PORTUGAL

Rainha consorte de Castela;
Reinado: 1215-1216.

Rainha titular de Portugal;
Senhora de Arouca;
em oposição a Afonso II de Portugal;
Reinado: 1217-1256.

Cônjuge: Henrique I de Castela.

Casa: Dinastia de Borgonha (por nascimento).
Casa de Ivrea (Borgonha) (por casamento).

Nome completo: Mafalda Sanches;
Nascimento: 11 de janeiro de 1195/97, Portugal;
Morte: 1 de maio de 1256 (61 anos), Rio Tinto ou Amarante, Porto, Portugal;
Enterro: Mosteiro de Arouca, Portugal;
Pai: Sancho I de Portugal;
Mãe: Dulce de Aragão.

[b]
BEATA MAFALDA DE PORTUGAL, O. Cist. (Ordem de Císter);

Veneração por: Igreja Católica;
Beatificação: 27 de junho de 1793 por Papa Pio VI;
Principal templo: Mosteiro de Arouca, Portugal;
Festa litúrgica: 2 de maio.

[c]
BEATA MAFALDA DE PORTUGAL

D. Mafalda Sanches de Portugal, O. Cist. (1195 / ou 1196 - Amarante, 1 de maio de 1256), infanta de Portugal e rainha de Castela por um breve período de tempo, sendo ainda considerada beata pela Igreja Católica, e venerada sob o nome de Rainha Santa Mafalda.

Foi educada por D. Urraca Viegas de Ribadouro, filha de Egas Moniz IV de Ribadouro, que lhe deixou vários bens em testamento, como a posse do Mosteiro de Tuias[1].

Vida religiosa e beatificação

Mais tarde, tornou-se monja cisterciense revitalizando o mosteiro feminino de Arouca. Faleceu no mosteiro de Rio Tinto, nas proximidades do Porto. Quando o seu corpo foi mais tarde exumado para ser trasladado para a abadia de Arouca, foi descoberto incorrupto, o que gerou uma onda de fervor religioso em torno do corpo da infanta.

A 27 de junho de 1793 foi beatificada pelo Papa Pio VI, acompanhando assim aos altares as suas irmãs Teresa e Sancha, já declaradas beatas no início desse século. É festejada no dia 2 de Maio pela Igreja Católica.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
in [https://pt.wikipedia.org/wiki/Beata_Mafalda_de_Portugal], [c.14.jan.2021]
_______________

[d]
BEATA MAFALDA

Apesar de ter casado com o rei Henrique I de Castela, esta filha de D. Sancho I não chegou a consumar o matrimónio uma vez que o marido morreu, ainda de menor idade. A infanta D. Mafalda preferiu então recolher-se ao mosteiro cisterciense de Arouca, tendo consagrado a Deus o resto da sua vida. Distribuiu todos os seus bens por mosteiros e conventos, ordens religiosas e igrejas catedrais. Morreu com mais de 60 anos e deixou, por toda a parte, uma memória de grande generosidade e desprendimento, sendo abençoada pela devoção dos fiéis.

in [https://evangelhoquotidiano.org/PT/display-saint/e4902065-988e-49d5-89fd-37a123c32989], [c.14.jan.2021]
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[e]
Nota:
[1] Tuias
Tuias, um antigo couto, foi uma freguesia portuguesa do concelho de Marco de Canaveses.
Foi vila e sede de concelho até ao início do século XIX, quando foi anexado ao entretanto extinto concelho de Soalhães. 
Foi, mais tarde, anexada ao concelho de Marco de Canaveses, vindo a integrar o território da cidade.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
in [https://pt.wikipedia.org/wiki/Tuias], [c.14.jan.2021]
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[f]
CRÉDITOS:
Imagem 1: Beata Mafalda de Portugal, pintura de António de Holanda
Imagem 2: Quadro de Mafalda no Mosteiro de Arouca, de autor desconhecido
in [https://pt.wikipedia.org/wiki/Beata_Mafalda_de_Portugal], [c.14.jan.2021]
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LENDAS E NARRATIVAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
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[Fontelas]

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LENDA DE MOURA MORTA

[1] Lenda de Moura Morta
Moura Morta

Houve noutros tempos um emir que vivia no castro de Cidadelhe e tinha uma criada moura ao seu serviço. Um dia, para tentar obter os favores dos cristãos que eram já muito poderosos nas redondezas, exigiu-lhe que aceitasse receber o baptismo, convertendo-se, desse modo, ao cristianismo.
Ela, contudo, recusou. E como castigo, o mouro encerrou-a num cativeiro, acreditando que, pela força, ela cederia aos seus planos.
Um dia a jovem conseguiu fugir, e lançou-se ladeiras abaixo na direcção do rio Sermanha. O mouro, mal deu por isso, veio em sua perseguição. E quando a fugitiva passou para o lado de cá do rio, já no concelho do Peso da Régua, e porque estava já em terras cristãs, abandonou-a.
Entretanto, apanhada pelos cristãos, só lhe restavam duas saídas: voltar para trás e entregar-se ao mouro que a perseguia, ou ficar em terras cristãs e converter-se a esta religião.
Não aceitou nenhuma delas. E lavrou assim a sua própria sentença de morte, sendo abatida pelas lanças dos cristãos. E às terras onde o seu corpo foi deixado sem vida, o povo passou depois a chamar Moura Morta.
_______________

APL 3681 - Ref.ª [1]

Fonte: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.314
Ano: 2001
Local de recolha: Moura Morta, Peso da Régua, Vila Real
Informante: Maria Otília Figueiredo (F), 71 anos

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/lenda-de-moura-morta [r.8.12.2021][1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
Imagem da Net
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[2] Lenda da Moura Morta (áudio)

2012-07-19
 
Programa dedicado à "Lenda da Moura Morta", assassinada pelos cavaleiros Templários ao recusar a conversão ao Catolicismo. No local nasceu uma freguesia com o mesmo nome, no Concelho de Peso da Régua.


Áudio e foto de www.arquivos.rtp.pt
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[3] História de Moura Morta 

Segundo reza a lenda o nome dado à terra foi (dado) nos tempos dos mouros. Quando invadiram a terra apareceu uma Moura no sítio da igreja onde era um cemitério. São histórias do meu avô... tenho pena de não poder ajudar mais pois o meu avô ja faleceu alguns anos, melhor que ele para contar as histórias da terra...

Informante: Carla Rocha | Facebook - @carlarocha.rocha.581, 9.jan.2021
Recolhida por Monteiro deQueiroz [r.9.jan.2021] 
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LENDAS E NARRATIVAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
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[Moura Morta]

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“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

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Eduardo José Monteiro deQueiroz
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AUDIÊNCIA DOS DIABOS NA PONTE DOS MARTINHOS

Cidadelhe


Por esta ponte romana passaram as tropas de Junius Brutus, no ano 134 A.C., para destruir o castro céltico na fortificada povoação de CIVITADELLA, na freguesia de Cidadelhe.

Situa-se numa zona de transição entre as freguesias de Cidadelhe e Oliveira. Ao chegar a Cidadelhe, poderá encontrar as placas identificativas do percurso, desde a Junta de Freguesia, até à Ponte dos Martinhos (Cerca de 2 quilómetros de distância).

Uma lenda diz que, nesta ponte, os diabos davam audiências à meia-noite de todas sextas-feiras.

Texto e Foto in  Ponte dos Martinhos https://www.cm-mesaofrio.pt/pages/672?poi_id=76
[r.Monteiro deQueiroz, 6.dez.2021]
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Já muito antes de Portugal se ter tornado independente, a freguesia de Cidadelhe era uma povoação denominada por CIVITADELLA, destruída no ano de 134 A.C., pelas tropas de um general romano. 

Neste mesmo Castro, com as escavações arqueológicas levadas a cabo em 1983, foram encontradas moedas romanas com a imagem do Imperador César Augusto.

O Castro de Cidadelhe foi um povoado metalúrgico fundado durante a idade do bronze final, a que se seguiu, após a sua destruição, uma nova ocupação castreja. A este período deve corresponder a construção das muralhas exteriores, criadas pelos primordiais habitantes, muito provavelmente, para defesa contra as invasões levadas a cabo por parte das tropas inimigas.

O Castro Céltico de Cidadelhe ergue-se no cimo de uma colina, nas imediações da localidade que lhe deu o nome e cuja fundação será anterior à da vila de Mesão Frio. Na área da acrópole foi implantada uma torre quadrangular medieval datada do século X.

Os romanos deixaram marcas da sua presença nesta freguesia, nomeadamente, um troço de calçada e a Ponte dos Martinhos. Passava aqui, a via militar romana que de Braga se dirigia a Amarante.

O Castro de Cidadelhe foi classificado como imóvel de interesse público com o Decreto-Lei n.º26-A/92, de 1 de Junho.

Texto e Foto in Castro Céltico de Cidadelhe https://www.cm-mesaofrio.pt/pages/672?poi_id=63
[r.Monteiro deQueiroz, 6.dez.2021]
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ENCANTAMENTO DE CIDADELHE


Anabela Morais, contou-me que costumava ouvir a pessoas que sabiam dessas coisas que num terreno situado nas imediações do campo de futebol de Cidadelhe, em Mesão Frio, existe um encantamento. Diziam que para fazer o desencantamento, a pessoa que o tentasse fazer tinha que se fazer acompanhar do Livro de São Cipriano, desenhar no chão um sino sem mão, e de seguida ler um trecho do texto do dito livro, sem nunca temer. Se temer o encantamento não se quebra. 
Desconhece qual o trecho do texto que tinha que ser lido, assim como se alguém o tentou fazer e se conseguiu desfazer o encantamento.
Pelo que se consta pela voz dos vizinhos mais velhos de Cidadelhe, o encantamento ainda lá se mantém.

A informante não se recorda na realidade se o que o povo conta como estando encantado se refere a uma criatura encantada ou a um tesouro escondido.

Informante: Anabela Morais, 52 anos, natural de Vila Marim e Vila Jusã, Mesão Frio, residente em São Miguel de Lobrigos.
[r.Monteiro deQueiroz, 6.dez.2021]
Foto: www.cm-mesaofrio.pt
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LENDA DAS FREGUINHAS


Medrões, como muitas outras terras, também possui algumas lendas. A das Freguinhas continuam na memória de todos.

Contava-se que, há muitos e muitos anos, um homem bastante pobre teve um sonho durante três noites seguidas.
Esse sonho referia-se a um sino de ouro escondido dentro de uma mina no lugar das Freguinhas. 
A pessoa que tivesse este tipo de sonhos tinha de ir ao lugar sozinhas caso contrário o sonho não se realizaria. O homem assim fez, no local sonhado encontrou um sino de ouro, como alegria da realização do sonho, disse a seguinte frase: “ai que lindo sininho e o badalo é para a minha Teresa.”

in Medrões | Facebook, @medroes [7.set.2013] 
https://www.facebook.com/medroes/posts/636116186422506 [r.5.jan.2021]
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LENDA DO POUSADOIRO


Medrões
[Pensava-se, antigamente, que se uma pessoa tivesse o mesmo sonho três vezes seguidas esse sonho se tornava realidade.]

Medrões, como muitas outras terras, também possui algumas lendas. A do Pousadoiro é uma delas e continua na memória de todos.

Conta-se que, antigamente, se uma pessoa tivesse o mesmo sonho três vezes seguidas esse se tornava realidade.

Assim, uma rapariga sonhou que no lugar do Pousadoiro havia um caixote com peças de ouro. Mas, para que o sonho se realiza-se tinha de ir ao lugar sozinha e de noite. 

Então, uma noite, essa tal rapariga foi ao lugar e desenterrou o caixote com o ouro.

Supõe-se que o ouro encontrado tenha sido escondido pelos Mouros quando cá estiveram.
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in Medrões | Facebook, @medroes [7.set.2013]
https://www.facebook.com/medroes/posts/636116186422506 [r.5.jan.2021]

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(Medrões)

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A MOURA ENCANTADA DO FRAGÃO - POUSADOURO II


Medrões e Moura Morta

[1] A Fraga da Moura 

Uma vizinha da Portela da Paróquia de Moura Morta, Peso da Régua, contou-me que se falava em tempos que havia perto do Pousadouro, em Medrões, junto ao caminho que o liga ao lugar da Mó, Medrões, um fragão a quem chamam a Fraga da Moura, onde, dizia-se, por vezes era vista uma Moira a pentear os seus longos cabelos. Contou ainda que esse fraga ficava no terreno do Mário Carniceiro.

Informante: D. Hermínia da Portela, 14.dez.20202
Recolhida por Monteiro deQueiroz [r.14.dez.2020]


[2] O Encantamento por debaixo do Fragão do Pousadouro

Uma anciã do lugar da Mó, Paróquia de Medrões, Santa Marta de Penaguião, confidenciou-me que se contava antigamente que no Fragão, junto ao Pousadouro, existia por baixo um encantamento… uma moira que às vezes era vista a pentear-se em cima dessa grande fraga. 

Disse ainda que já lá foi várias vezes mas nunca a viu. 

E ainda, que havia quem se pusesse em cima desse fragão e que agora não já era possível porque o anterior proprietário do terreno, que era carniceiro e já morreu, resolveu cercá-lo por ser de sua propriedade passando a cerca por cima da fraga fazendo com que a sua parte mais elevada ficasse inacessível.

Informante: Anciã do Lugar da Mó, Medrões, 5.jan.2021
Recolhida por Natália e Monteiro deQueiroz [r.5.jan.2021]


[3] O Fragão que se abria ao meio e saía de lá uma Moura Encantada 

Segundo as histórias que meu avô contava dizia que à meia noite o fragão se abria ao meio e saía de lá uma moura encantada. Mas também dizia quando íamos para lá brincar para espreitarmos atrás do fragão para ver se estava lá a moura. Tem graça que quando pequena eu e mais crianças de Pulgeiros de Cima combinávamos no verão ir até lá à meia noite para ver se realmente era verdade a história do meu avô. É o que me lembro de ouvir de pessoas mais velhas.

«Bom dia prima! Tanta vez escorreguei no Fragão, bons tempos, beijinho.
O Fragão fica perto da Capela da Senhora dos Remédios logo a seguir ao Pousadouro que vai para o Sobrado, ajudou a tua memória(?), tu não ias lá à festa. beijinho.»

Informante: Carla Rocha | Facebook - @carlarocha.rocha.581, 8e9.jan.2021
Recolhida por Monteiro deQueiroz [r.8e9.jan.2021] 
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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
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“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

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LENDA DO GIGANTE DO MARÃO


[1] 

Trago-vos uma lenda que encontrei a ler um livro - uma complicação de histórias - chamado “Vila Real História ao Café”. Nunca das páginas encontrei uma referência a esta lenda, a “Lenda do Gigante do Marão”.

Fiz uma pesquisa rápida pela internet, a ver se encontrava mais alguma referência à lenda. E encontrei algumas.

Passo então a contar a história pelas minhas palavras:

Outrora surgiu um gigante na Serra do Marão, que assombrava os moradores da aldeia, principalmente os pastores - o gigante comia os animais de uma só vez. As pessoas da aldeia quase nunca saíam porque tinham medo do gigante. O gigante tinha uma cabeça grande a achatada e tinha um olho enorme no meio da testa. Usava uma barba muito muito longa.

Certo dia, um dos pastores de uma aldeia das montanhas do Marão - a aldeia de Fraldas, resolveu enfrentar o gigante. Muitos foram os que o tentaram desencorajar, mas o pastor não se demoveu do seu objetivo e seguiu pelas montanhas. Não foi preciso andar muito, o gigante não se tardou a aparecer assim que sentiu a presença das ovelhas.

- Tiveste a coragem de me enfrentar, pastor. Ainda bem que o fizeste, ainda não comi hoje e já tenho a barriga a dar voltas - gritou-lhe o gigante do Marão.

O pastor ao ouvir tal coisa, reagiu de imediato:
- Não tenho medo nenhum de ti, monstro. De hoje não passas!
- Maldito, mostra lá então do que és capaz!

Então o pastor resolveu retirar do seu bolso um pedaço de queijo de cabra, mostrando-o ao gigante:
- Vês isto? Este seixo que aqui tenho? - interrogou o pastor, enquanto o espremia com a mão, até sair um líquido amarelo (natural do queijo fresco). O gigante nem queria acreditar.
- Tenta fazer o mesmo - desafiou-o o pastor.

O gigante, incrédulo com o que tinha acabado de ver, pegou de imediato numa pedra e começou a espremê-la com toda a força. Nada aconteceu. Pegou noutra e nada aconteceu. E outra, e outra. Desesperado, acabou por desistir.

- E agora, já tens noção do que eu sou capaz de te fazer? - troçou o pastor.
Agora vamos ver quem atira uma pedra mais longe.

O gigante do Marão foi o primeiro a pegar numa pedra. Atirou-a o mais longe que conseguiu. E foi tão bem sucedido que a pedra foi parar a outra montanha. Satisfeito com o que acabara de fazer, o gigante disse a sorrir:
- Agora é a tua vez, anda lá!

O pastor, mais esperto do que o gigante, tirou de um bolso um pardal e largou-o. O pardal voou para bem longe, tão rápido que foi impossível acompanharem-lhe a viagem.

O gigante, embora espantado, aceitou um desafio do pastor:
- Estás a ver aquele pinheiro? - perguntou, apontando para o pinheiro mais grosso à sua frente – Vamos então ver quem o consegue dobrar.

O gigante aproximou-se do pinheiro e dobrou o pinheiro com toda a sua força. Conseguiu dobrar o pinheiro até que este tocasse no chão. Ao vê-lo, o pastor aproximou-se e disse-lhe:
- Muito bem, agora é a minha vez. Tira as mãos daí.

Sem pensar nas consequências, o gigante assim fez: tirou as mãos do pinheiro e este voltou à sua posição, batendo-lhe com tanta força na cabeça, que o deixou esticado no chão. O pastor correu dali para fora com as suas ovelhas. No seu pensamento surgia “dever cumprido”.

Ao atravessar as montanhas, deu com um grupo de mulheres que lavavam tripas de porco. Aproximou-se delas e fez-lhes um pedido:
- Quando o gigante passar por aqui à minha procura, dizei-lhe que essas são as minhas tripas. Dizei-lhe que eu hei-de voltar para as meter de novo dentro de mim.

O pastor seguiu viagem e o gigante do Marão não se tardou a chegar, embora ainda abananado. Quando perguntou pelo pastor às mulheres, recebeu a mensagem que o pastor lhes tinha deixado.

Ao ouvir o recado, o gigante quis aceitar aquilo como um desafio “Se ele tirou as tripas, então eu também as tiro” E então, com a faca de matar os porcos, abriu a barriga.

E foi esta a sua última ação. Depois disto, o pastor foi glorificado por tamanha coragem e esperteza.

Esta versão da lenda do gigante do Marão foi inspirada na versão que encontrei neste blog [Grandes historiadores de Vila Real - http://grandeshistoriadoresdevilareal.blogspot.com]
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[2] 

Noutros tempos aparecia na serra do Marão um gigante que atemorizava os habitantes das aldeias, especialmente os pastores, pois alimentava-se com os animais que lhe roubava, os quais abocanhava e comia duma só dentada, como se de um simples “papo seco” se tratasse. As pessoas evitavam afastar-se para longe dos seus povoados, pois a própria figura do gigante metia medo: a cabeça era grande e achatada, e na testa, bem ao meio, tinha apenas um olho, um olho enorme, bugalhudo, que avistava tudo a grande distância. As guedelhas e as barbas eram longas e desajeitadas. Mais pareciam silvados.
Um dia, um pastor de uma aldeiazinha das fraldas da serra com apenas 1500m2 de área, tido como pessoa que usava mais miolos que a força, resolveu dar uma lição ao gigante e acabar com a ameaça que a sua presença representava para todos. Vai daí, pegou no rebanho e meteu-se ao caminho, serra acima, sem dar ouvidos a quantos lhe desaconselhavam a aventura - ou não fosse ele o homem pequeno e raquítico de aspecto, a contrastar com o “trambolho” que o esperava.
E sem precisar de andar muito, lá lhe apareceu o gigante, pronto a fazer um banquete com as ovelhas.
- Com que então resolveste vir ter comigo!... Ainda bem, pois estou em jejum e já tenho a barriga a roncar! - disse o gigante.
- Pois olha que eu não tenho medo de ti! Sou até capaz de te vencer! - reagiu o pastor.
- O quê?! Ora mostra lá o que és capaz de fazer!
O pastor tirou do bolso um bocado de queijo de cabra fresco, e disse:
- Estás a ver este seixo? Pois olha o que eu faço com ele! - E começou a espremê-lo com a mão, fazendo sair um líquido amarelado, que mais não era que o soro do queijo, o que deixou o gigante boquiaberto. - Agora vê lá tu se és capaz de fazer o mesmo!
O gigante arrancou uma fraga do chão, espremeu-a com quanta força tinha, e ... nada. Depois pegou em outra e foi o mesmo. Até que desistiu.
- Ainda não acreditas que sou mais forte do que tu? - perguntou o pastor.
- Então vamos ver agora quem é capaz de atirar uma pedra mais longe. Podes ser tu o primeiro.
O gigante pegou numa pedra enorme e lançou-a para tão longe que acabou por ir cair noutra montanha. E, todo satisfeito, já a cantar vitória, diz para o rival:
- Vá lá, faz agora tu o mesmo!
- Faço, sim senhor!
O pastor meteu a mão ao bolso, onde trazia um pardal, e soltou-o no mesmo instante. O pássaro, farto de estar cativo, voou como uma seta, e para tão longe que nem o pastor nem o gigante o conseguiram alcançar com a vista.
Espantado com tamanha habilidade, o gigante ainda assim se aprontou para aceitar um desafio que o pastor lhe lançou:
- Vês ali aquele pinheiro? - perguntou, apontando para um que era o mais grosso de todos. - Ora vamos lá ver quem é, dos dois, que o consegue dobrar!
O gigante nem hesitou, convencido de que aquilo era, sem qualquer dúvida, uma proeza que só ele poderia realizar. Deitou as mãos ao tronco do pinheiro e, auxiliado com o peso do próprio corpo, fez quanta força pôde até que dobrou, ao ponto de a ramagem tocar no chão. E foi nesse momento que o pastor o interrompeu, dizendo-lhe:
- Tira agora daí as mãos, que o quero dobrar eu!
O gigante abriu as mãos e o resultado não podia ser outro: o pinheiro soltou-se e foi desferir-lhe tamanha cacetada na cabeça que o deixou a ver estrelas, ficando estendido no chão, atordoado e sem forças para se mexer.
O pastor, que considerou cumprida a sua missão, tratou de fugir, com as ovelhas, e com a rapidez que podia. Um pouco mais baixo, teve de atravessar uma ribeira onde encontrou várias mulheres a lavar as tripas de um porco para o fumeiro. E pediu-lhes:
- Se o gigante aqui passar, e perguntar por mim, dizei-lhe que eu passei a correr e que, para ir mais leve e correr mais, deixei ficar as tripas, essas que estais aí a lavar. E dizei-lhe também que, quando estiverem vazias e limpas, eu volto a passar aqui para as meter outra vez na barriga.
E, dito o recado, continuou o caminho. Daí a pouco, chegou o gigante, ainda meio atordoado, e perguntou pelo pastor. Como resposta, recebeu o recado que o pastor deixou. Perante tal resposta, o gigante não perdeu tempo a pensar. Apenas o mínimo: “Se o pastor tirou as tripas para ir mais leve, porque não hei-de eu fazer também o mesmo? 
Afinal, as minhas sempre pesam mais!...”. E, se depressa pensou, mais depressa o fez. Pegou na faca de matar os porcos e espetou-a na própria barriga. E dali já não saiu mais. A serra do Marão livrou-se de tão incómoda criatura, e o pastor foi glorificado pela sua esperteza.

Lenda adaptada por Alexandre Parafita
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[1] A “Lenda do Gigante do Marão”, 
Andreia Carvalho da Silva,
in Transmontanitos,
https://transmontanitos.pt/a-lenda-do-gigante-do-marao/ [r.26.dez.2020]

[2] A lenda do gigante Marão
in Grandes Historiadores de Vila Real,
publicada em 22.mai.2007,
http://grandeshistoriadoresdevilareal.blogspot.com/2007/05/lenda-do-gigante-do-maro.html, [r.26.dez.2020]
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[Algures, nas fraldas da Serra do Marão]

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OS MOUROS E O CONVENTO DO VARATOJO

Na vila de Mesão Frio, no local onde está o convento dos Franciscanos do Varatojo, que hoje funciona como Câmara Municipal, existe, segundo a tradição oral, uma escada subterrânea que vai dar a uma mina muito funda e muito comprida, que atravessa o rio Douro até às terras do Douro Sul.

Diz-se que a mina foi construída, há muitos e muitos anos, pelos mouros e que estes levavam por lá os cavalos a beber.

Diziam os mais velhos que a mina vai dar ao convento de Barrô, em S. Martinho de Mouros, que fica do outro lado do rio. Mas não consta que alguém lá tenha conseguido entrar alguma vez para saber ao certo que género de mina será esta.
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APL 3604 - Ref.ª [1]

Source: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.259-260
Year: 2001
Place of collection: Mesão Frio, Vila Real
Informant: Bernardino Vieira de Oliveira (M), 50 y.o.,

Narrative
When: 12 Century

in https://www.lendarium.org/pt/apl/artefactos/os-mouros-e-o-convento-do-varatojo [r.26.12.2020] [1]
[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
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A fundação do Convento dos Franciscanos, em Mesão Frio, não tem uma data precisa.

Fortunato de Almeida, o conceituado autor da «História da Igreja de Portugal», diz que “o Mosteiro de São Francisco de Mesão Frio foi fundado em 1724, para frades” e Frei Henrique Rema dá o ano de 1744 como data provável da sua função.

É muito possível que o edifício para alojar os frades franciscanos tivesse começado a ser edificado em 1724 e que o seu acabamento se tornasse um facto apenas 20 anos depois. Entre uma e outra data, aparece, ao lado da igreja do Convento, a Ordem Terceira de São Francisco, em cuja Direção estiveram outrora os frades.

No interior do Claustro do Convento, podem ver-se umas escadas subterrâneas que vão dar a um túnel. O povo criou a lenda de que nesse túnel subterrâneo, existe um caminho por onde os Mouros atravessavam o Rio Douro, em direção ao Convento de Barrô, no concelho de Resende.

Atualmente e desde o ano de 1834, é neste edifício que funcionam as várias repartições públicas do poder judicial, administrativo e autárquico do concelho de Mesão Frio.

Texto e Foto in Convento Franciscano https://www.cm-mesaofrio.pt/pages/672?poi_id=64
[r.Monteiro deQueiroz, 6.dez.2021]
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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
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SENHORA DA LAPA (e o Sardão)

Ia uma mulher com uma teia de linho, em meadas, para a tecedeira. Apareceu-lhe um sardão grandíssimo, pelo que ela ficou muito assustada, gritando. Ouviu então uma voz que lhe disse: «Bai-le botando os nobelos e fica-le co fio na mão». 

A mulher foi andando, e assim fez. Quando o sardão tinha devorado os fios todos, ouviu a mesma voz: «Puxa-le pelos fios». O sardão ficou engasgado e morreu.

Foi milagre feito pela Senhora, embora não invocada pela mulher.
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APL 2204 - Ref.ª [1]

Source: VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966, p.506
Place of collection: Mesão Frio, Vila Real

Narrative
When: 20 Century

in https://www.lendarium.org/pt/apl/milagres/senhora-da-lapa-de-mesao-frio [r.26.12.2020] [1]
[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
Foto de www.pt.bordallopinheiro.com
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SANTA MARTA DE PENAGUIÃO (D. TEDO E D. RAUSENDO II)


Santa Marta de Penaguião, hoje Concelho do Distrito de Vila Real, foi, segundo diz a lenda, invadida e dominada pelos sarracenos, os quais, para consolidarem a sua permanência, construíram um castelo, lá no alto da encosta, agora coberta de cepas e de oliveiras, mas, nessa altura, cheia de espessos matagais.

Dali, podiam facilmente defender-se de possíveis tentativas para os desalojar e, ao mesmo tempo, vigiar os habitantes das aldeias em redor.

A posição quase inacessível do castelo e a força poderosa dos seus ocupantes mantinham os autóctones em forçada submissão e tiravam-lhe a veleidade de esboçar qualquer gesto de revolta.

Além disso, faltava-lhes um chefe capaz de aproveitar o seu descontentamento e de aglutinar as energias dispersas, para conseguir pôr fim ao domínio odioso dos invasores.

Por isso, os suportavam, embora interiormente revoltados, esperando pacientemente o dia em que ele surgisse e desse corpo ao seu sonho de liberdade.

E esse dia chegou com o aparecimento de dois intrépidos fidalgos, irmãos no sangue e no valor, que ali se fixaram, vindos não se sabe donde, e se mostraram decididos a chefiar a revolta contra os indesejáveis filhos de Maomé.

Eram eles D. Telo e D. Rausendo, homens de antes quebrar que torcer, que punham o amor à terra acima do amor à vida e o pundonor acima do egoísmo.

Inconformados com aquela situação desonrosa, depois de auscultarem a vontade popular, conceberam um plano astucioso, para o assalto ao castelo.

Escolheram os mais audazes, distribuíram-lhes armas, deram-lhes as instruções necessárias e marcaram o dia do combate.

Quando esse dia chegou, juntaram-se na capela onde estava a imagem de Santa Marta de quem eram muito devotos. Aí, suplicaram-lhe protecção para aquela empresa santa, mas arriscada, e comprometeram-se a dar o seu nome àquela região se os ajudasse a alcançar a vitória contra os infiéis.

Depois, fizeram as últimas recomendações e, ao anoitecer, começaram a caminhar em direcção ao castelo, em rigoroso silêncio, protegidos pela escuridão.

Chegados ao alto, esperaram que as sentinelas adormecessem e, quando sentinelas e soldados descansavam tranquilamente nos braços de Morfeu, D. Telo e D. Rausendo destacaram-se do grupo e avançaram para a fortaleza.

D. Telo atirou uma corda às ameias junto das portas, enquanto D. Rausendo lançava outra às ameias junto da torre de menagem. Depois de escalarem a muralha, o primeiro desceu pela corda para o interior e abriu as portas de par em par, ao mesmo tempo que o segundo subia à torre onde içou o guião que levava consigo.

Depois, quebrou o silêncio da noite, gritando com toda a força: Pena! Guião!

Era a senha pré-estabelecida que queria dizer: bandeira no castelo.

A estas palavras, os companheiros, que estavam próximos, irromperam como um furacão pelas portas escancaradas e esmagaram rapidamente os sarracenos que não tiveram tempo de esboçar qualquer resistência.

Era o fim da tirania dos muçulmanos e o princípio da liberdade dos cristãos.

Então, para cumprirem a promessa feita à sua Padroeira, deram, por aclamação unânime, às terras de toda aquela região o nome de terras de Santa Marta e acrescentaram-lhe as palavras da senha: Pena Guião.

E foi assim que nasceu o nome completo, que ainda permanece: Santa Marta de Penaguião.
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APL 934 - Ref.ª [1]

Source: FERREIRA, Joaquim Alves Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999, p.131-132 Place of collection: Louredo, Santa Marta de Penaguião, Vila Real

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020] [1]
[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

[Louredo]

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
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OS TRÊS POTES MISTERIOSOS

Fornelos

Em Salgueiro há uma mina onde acreditam existirem três potes misteriosos, sendo um de ouro, um de prata e o outro de peste.
Só se pode lá entrar à meia-noite e a pessoa que lá queira ir, tem de repetir ‘eu entro três vezes’, e seguidamente há uma fraga que abre. Assim que a pessoa entra, é levada para o sítio, onde se encontram os três potes.
Quem pegar no pote de ouro fica rico, no de prata fica estável e no de peste morre.
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APL 966 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.TE9
Year: 2002
Place of collection: Fornelos, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
Collector: Neuza Maria Sequeira Pereira (F)
Informant: Palmira Alves (F), 77 y.o.,

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/tesouros-escondidos/os-tres-potes-misteriosos [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

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LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
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“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
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