OS MOUROS E O CONVENTO DO VARATOJO

Na vila de Mesão Frio, no local onde está o convento dos Franciscanos do Varatojo, que hoje funciona como Câmara Municipal, existe, segundo a tradição oral, uma escada subterrânea que vai dar a uma mina muito funda e muito comprida, que atravessa o rio Douro até às terras do Douro Sul.

Diz-se que a mina foi construída, há muitos e muitos anos, pelos mouros e que estes levavam por lá os cavalos a beber.

Diziam os mais velhos que a mina vai dar ao convento de Barrô, em S. Martinho de Mouros, que fica do outro lado do rio. Mas não consta que alguém lá tenha conseguido entrar alguma vez para saber ao certo que género de mina será esta.
_______________

APL 3604 - Ref.ª [1]

Source: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.259-260
Year: 2001
Place of collection: Mesão Frio, Vila Real
Informant: Bernardino Vieira de Oliveira (M), 50 y.o.,

Narrative
When: 12 Century

in https://www.lendarium.org/pt/apl/artefactos/os-mouros-e-o-convento-do-varatojo [r.26.12.2020] [1]
[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
_______________


A fundação do Convento dos Franciscanos, em Mesão Frio, não tem uma data precisa.

Fortunato de Almeida, o conceituado autor da «História da Igreja de Portugal», diz que “o Mosteiro de São Francisco de Mesão Frio foi fundado em 1724, para frades” e Frei Henrique Rema dá o ano de 1744 como data provável da sua função.

É muito possível que o edifício para alojar os frades franciscanos tivesse começado a ser edificado em 1724 e que o seu acabamento se tornasse um facto apenas 20 anos depois. Entre uma e outra data, aparece, ao lado da igreja do Convento, a Ordem Terceira de São Francisco, em cuja Direção estiveram outrora os frades.

No interior do Claustro do Convento, podem ver-se umas escadas subterrâneas que vão dar a um túnel. O povo criou a lenda de que nesse túnel subterrâneo, existe um caminho por onde os Mouros atravessavam o Rio Douro, em direção ao Convento de Barrô, no concelho de Resende.

Atualmente e desde o ano de 1834, é neste edifício que funcionam as várias repartições públicas do poder judicial, administrativo e autárquico do concelho de Mesão Frio.

Texto e Foto in Convento Franciscano https://www.cm-mesaofrio.pt/pages/672?poi_id=64
[r.Monteiro deQueiroz, 6.dez.2021]
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

[Mesão Frio]

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

SENHORA DA LAPA (e o Sardão)

Ia uma mulher com uma teia de linho, em meadas, para a tecedeira. Apareceu-lhe um sardão grandíssimo, pelo que ela ficou muito assustada, gritando. Ouviu então uma voz que lhe disse: «Bai-le botando os nobelos e fica-le co fio na mão». 

A mulher foi andando, e assim fez. Quando o sardão tinha devorado os fios todos, ouviu a mesma voz: «Puxa-le pelos fios». O sardão ficou engasgado e morreu.

Foi milagre feito pela Senhora, embora não invocada pela mulher.
_______________

APL 2204 - Ref.ª [1]

Source: VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966, p.506
Place of collection: Mesão Frio, Vila Real

Narrative
When: 20 Century

in https://www.lendarium.org/pt/apl/milagres/senhora-da-lapa-de-mesao-frio [r.26.12.2020] [1]
[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
Foto de www.pt.bordallopinheiro.com
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

[Mesão Frio]

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

SANTA MARTA DE PENAGUIÃO (D. TEDO E D. RAUSENDO II)


Santa Marta de Penaguião, hoje Concelho do Distrito de Vila Real, foi, segundo diz a lenda, invadida e dominada pelos sarracenos, os quais, para consolidarem a sua permanência, construíram um castelo, lá no alto da encosta, agora coberta de cepas e de oliveiras, mas, nessa altura, cheia de espessos matagais.

Dali, podiam facilmente defender-se de possíveis tentativas para os desalojar e, ao mesmo tempo, vigiar os habitantes das aldeias em redor.

A posição quase inacessível do castelo e a força poderosa dos seus ocupantes mantinham os autóctones em forçada submissão e tiravam-lhe a veleidade de esboçar qualquer gesto de revolta.

Além disso, faltava-lhes um chefe capaz de aproveitar o seu descontentamento e de aglutinar as energias dispersas, para conseguir pôr fim ao domínio odioso dos invasores.

Por isso, os suportavam, embora interiormente revoltados, esperando pacientemente o dia em que ele surgisse e desse corpo ao seu sonho de liberdade.

E esse dia chegou com o aparecimento de dois intrépidos fidalgos, irmãos no sangue e no valor, que ali se fixaram, vindos não se sabe donde, e se mostraram decididos a chefiar a revolta contra os indesejáveis filhos de Maomé.

Eram eles D. Telo e D. Rausendo, homens de antes quebrar que torcer, que punham o amor à terra acima do amor à vida e o pundonor acima do egoísmo.

Inconformados com aquela situação desonrosa, depois de auscultarem a vontade popular, conceberam um plano astucioso, para o assalto ao castelo.

Escolheram os mais audazes, distribuíram-lhes armas, deram-lhes as instruções necessárias e marcaram o dia do combate.

Quando esse dia chegou, juntaram-se na capela onde estava a imagem de Santa Marta de quem eram muito devotos. Aí, suplicaram-lhe protecção para aquela empresa santa, mas arriscada, e comprometeram-se a dar o seu nome àquela região se os ajudasse a alcançar a vitória contra os infiéis.

Depois, fizeram as últimas recomendações e, ao anoitecer, começaram a caminhar em direcção ao castelo, em rigoroso silêncio, protegidos pela escuridão.

Chegados ao alto, esperaram que as sentinelas adormecessem e, quando sentinelas e soldados descansavam tranquilamente nos braços de Morfeu, D. Telo e D. Rausendo destacaram-se do grupo e avançaram para a fortaleza.

D. Telo atirou uma corda às ameias junto das portas, enquanto D. Rausendo lançava outra às ameias junto da torre de menagem. Depois de escalarem a muralha, o primeiro desceu pela corda para o interior e abriu as portas de par em par, ao mesmo tempo que o segundo subia à torre onde içou o guião que levava consigo.

Depois, quebrou o silêncio da noite, gritando com toda a força: Pena! Guião!

Era a senha pré-estabelecida que queria dizer: bandeira no castelo.

A estas palavras, os companheiros, que estavam próximos, irromperam como um furacão pelas portas escancaradas e esmagaram rapidamente os sarracenos que não tiveram tempo de esboçar qualquer resistência.

Era o fim da tirania dos muçulmanos e o princípio da liberdade dos cristãos.

Então, para cumprirem a promessa feita à sua Padroeira, deram, por aclamação unânime, às terras de toda aquela região o nome de terras de Santa Marta e acrescentaram-lhe as palavras da senha: Pena Guião.

E foi assim que nasceu o nome completo, que ainda permanece: Santa Marta de Penaguião.
_______________

APL 934 - Ref.ª [1]

Source: FERREIRA, Joaquim Alves Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999, p.131-132 Place of collection: Louredo, Santa Marta de Penaguião, Vila Real

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020] [1]
[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

[Louredo]

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

OS TRÊS POTES MISTERIOSOS

Fornelos

Em Salgueiro há uma mina onde acreditam existirem três potes misteriosos, sendo um de ouro, um de prata e o outro de peste.
Só se pode lá entrar à meia-noite e a pessoa que lá queira ir, tem de repetir ‘eu entro três vezes’, e seguidamente há uma fraga que abre. Assim que a pessoa entra, é levada para o sítio, onde se encontram os três potes.
Quem pegar no pote de ouro fica rico, no de prata fica estável e no de peste morre.
_______________

APL 966 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.TE9
Year: 2002
Place of collection: Fornelos, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
Collector: Neuza Maria Sequeira Pereira (F)
Informant: Palmira Alves (F), 77 y.o.,

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/tesouros-escondidos/os-tres-potes-misteriosos [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

O LOBISOMEM QUE COMEU O FILHO

Fornelos

Um homem, casado e pai de um miúdo, era lobisomem. Um dia foi para o campo trabalhar e levou o filho. Chegou a hora de ir fazer a ronda e disse ao filho que ficasse junto do carro de bois e não tivesse medo.
Dizem que, quando os lobisomens vão na corrida, não fazem mal, mas, se andam à busca, têm que comer sete corações vivos e serve-lhes qualquer animal que encontrarem, mesmo que seja um insecto.
O homem, enquanto andava à busca, encontrou o filho e, sem saber quem era, comeu-o. Os bois apareceram em casa sozinhos, já ele lá estava. Foi então que desconfiou que tivesse feito alguma coisa errada. E começou a sentir-se mal.
A mulher, quando o viu assim, perguntou-lhe:
− Ó homem, porque é que não comes?
− Estou enojado, não me sinto bem.
A mulher olhou bem para ele e notou-lhe uns farrapinhos da roupa do filho nos dentes. Ficou com uma grande paixão e mandou-o olhar-se ao espelho para ver o que tinha nos dentes.
O homem então deu conta que eram farrapos da roupa do filho. As pernas ficaram-lhe a tremer e correu logo a uma pessoa para lhe acabar com o fado.
_______________

APL 972 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.CF4
Year: 2002
Place of collection: Fornelos, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
Collector: Neuza Maria Sequeira Pereira (F)
Informant: Palmira Alves (F), 77 y.o.,

Narrative
When: 20 Century, 90s

Classifications
Types: Christiansen [4005] O marido lobisomem

in https://www.lendarium.org/pt/apl/lobisomens/o-lobisomem-que-comeu-o-filho-972 [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

O LADRÃO DE BARBAS

Cumieira

Há uns anos atrás, por volta de Maio, estava eu em casa a preparar a janta, quando me apareceu a senhora Rosalina, que era na altura a mulher mais rica da aldeia, muito preocupada:
− Palmira, fecha as portas de casa, porque anda aí um ladrão.
Eu muito assustada, disse-lhe:
− Onde viste tu o ladrão?
E ela respondeu-me:
− Se não acreditas, vem comigo e logo verás, porque, se não é ladrão, é espia.
Então, eu fui por ali a cima e ouvi o povo a dizer:
− Para baixo ou para cima?
Assim que lá cheguei, encontrei um homenzinho com umas barbas enormes e brancas deitado no souto. Estava cansado e a única coisa que trazia era uma mochila.
Parecia mais morto que vivo. Tinham-no trazido da Lagoa e, quando ali chegou, não resistiu e deitou-se, porque não se aguentava em pé.
Ao ver o estado do homem, vieram-me as lágrimas aos olhos e perguntei-lhe:
− Estás com fome e sede?
E ele disse-me:
− Estou sim, minha senhora.
Assim que ele me respondeu, eu virei-me para as pessoas que lá estavam e disse-lhes:
– Então este é que é o ladrão? Tende piedade deste homem, que mal se aguenta em pé.
Alguns disseram-me para eu não acolher aquele homem, porque ele me podia roubar. Eu não acreditei e pedi-lhe para vir comigo. Assim que cheguei a casa, perguntei-lhe se aceitava uma tigela de sopa, porque era a única coisa que eu tinha.
Ele respondeu:
− Sim, aceito minha senhora.
Então, eu convidei-o a sentar-se num tronco dos pinheiros, pois na altura, como eu era pobre, não tinha bancos.
Assim que começou a comer, eu ainda lhe perguntei:
− Queres água?
E ele respondeu-me:
− Agora é bem-vinda.
Eu dei-lhe a água e ele agradeceu-me com ar satisfeito.
O homem estava esfomeado e eu, como não tinha mais comer para lhe dar, pedi à minha filha mais velha se não se importava de dispensar o arroz que estava a comer para dar ao homenzinho. Ela disse-me:
− Claro que não, minha mãe.
Peguei no prato da minha filha e dei-lho para comer. E ele todo contente aceitou.
Assim que terminou de comer, levantou-se, pediu-me para lhe dar mais água e disse-me:
– Seja a primeira esmola que a senhora encontre no céu e Deus nunca lhe há-de faltar.
Eu, muito admirada, deixei o homem sair, mas fui sempre atrás dele para ver para onde ia. Ainda hoje me lembro bem desse dia. Eu ia sempre atrás dele, sem ele dar conta.
Mas a dada altura, ele desapareceu ali mesmo à minha frente. Eu nem queria acreditar e ainda hoje não percebo o que terá acontecido.
A única conclusão que tiro é que a minha vida, a partir daí, melhorou e até à data nada me faltou.
_______________

APL 979 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.CE1
Year: 2002
Place of collection: Cumieira, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
Collector: Neuza Maria Sequeira Pereira (F)
Informant: Palmira Alves (F), 77 y.o.,

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/bencao-divina/o-ladrao-de-barbas [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

O MARIDO LOBISOMEM

Peso da Régua

Uma linda rapariga casou com um lobisomem. Todas as quartas-feiras à meia noite ele saía. Certo dia, a mulher, querendo saber o que o homem ia fazer, vestiu um saiote vermelho e foi guardá-lo.
O homem chegou a uma encruzilhada, despiu-se, espolinhou-se e ficou feito num cavalo. A mulher, que tudo observou, subiu para cima duma parede. O cavalo, na corrida, ainda lhe deitou os dentes ao saiote.
Quando o marido chegou a casa, a mulher fingiu que não sabia de nada. No dia seguinte, foram trabalhar para as leiras e começaram os dois na brincadeira. Ele riu-se e a mulher viu-lhe nos dentes uns fiapos vermelhos.
– Tu trazes uns fiapos do meu saiote nos dentes – disse a mulher.
E contou-lhe o que tinha presenciado.
O marido ralhou-lhe porque ela nunca se devia ter aproximado dele numa altura daquelas. Podia tê-la morto. Por fim acrescentou:
– Mas já que te aventuraste a chegar ao pé de mim, devias ter-me espetado uma aguilhada, desde que não fosse nos olhos. Tinhas-me tirado o fado.
_______________

APL 971 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial – Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.CF3
Year: 2002
Place of collection: Peso da Régua, Peso da Régua, Vila Real
Collector: Andreia Catilina Cardoso Monteiro (F)
Informant: Dionízia da Conceição Magalhães (F), 74 y.o., Peso Da Régua (Peso da Régua),

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/lobisomens/o-marido-lobisomem-971 [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

O COMETA DE 1910

Alvações do Corgo

Em Alvações do Corgo o povo andava aterrado, porque dizia que o cometa era um homem muito alto e muito mau, com as barbas (= cauda) muito grandes, que tinha devorado a mulher e os filhos e vinha agora devorar-nos todos.

Em Baião, explicavam que a cometa era uma mulher, que tinha comido os filhos e, como não tinha nem céu nem inferno, andava errante pelo ar e deixava cair objectos cortantes, como facas, machados, picaretas, para matar os homens.
_______________

APL 2223 - Ref.ª [1]

Source: VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966, p.605
Place of collection: Alvações do Corgo, Santa Marta de Penaguião, Vila Real

Narrative
When: 1910

in https://www.lendarium.org/pt/apl/papoes/o-cometa-de-1910 [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

O CABRITO CHEIO DE FRIO

Peso da Régua

Uma mulher vinha do trabalho, encontrou um cabrito cheio de frio e perguntou-lhe:
− Tens frio? Anda cá que eu levo-te no meu avental.
Levou-o para casa e fez uma fogueira para o aquecer. O cabritinho começou a crescer depressa e a levantar-se e disse:
– Pus! Pus! Pus! Já ta vi!
– Credo, Santo Nome de Jesus! Isto é coisa má! – exclamou a mulher.
O cabrito largou a fugir e nunca mais se viu.
A mulher dizia a todos que tinha levado para casa o diabo.
Deste conto se deve tirar a lição de que não devemos trazer para casa o que encontramos na rua.
_______________

APL 1002 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial – Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.HD2
Year: 2002
Place of collection: Peso da Régua, Peso da Régua, Vila Real
Collector: Paula Ribeiro (F)
Informant: Maria Amélia Martins (F), 87 y.o., Peso Da Régua (Peso da Régua),

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://lendarium.org/pt/apl/carregar-animal-pesado/o-cabrito-cheio-de-frio/ [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

MALEFÍCIO NA ENCRUZILHADA

Godim

Aí pelo dia 23 de Dezembro, devia ser meia-noite, eu ia daqui do Salgueiral, para Jogueiros. Para encurtar o caminho, meti por um atalho.
Chego acolá acima, numa encruzilhada a que chamam Salgueiro, e encaro com um homem que vinha para baixo e que cortou para a direita.
Segui a minha rotina do caminho. Cheguei à encruzilhada mais acima e voltei a encontrar o homem que seguiu para a esquerda. Eu sigo na mesma a minha rotina por aí acima.
Tinha tanto medo como tenho agora aqui.
Cheguei à encruzilhada do Senhor da Salvação e estava outro homem ali de pé. Dei-lhe boas-noites, mas não respondeu.
Adiante, no lugar do Soito, donde tiravam o barro, ouvi duas pedradas atrás de mim. Caíram todas ao lado e não me fizeram mal nenhum. Eu era novo e, como andava sempre de noite, trazia um canhoto no bolso. Tiro-o e disparo para trás: tau, tau, tau, até ele encravar e não sair mais um único tiro.
Corri para casa e, quando cheguei, tinha uma dor de cabeça maior que o meu corpo. No outro dia, não pude ir trabalhar por causa da cabeça. Os meus beiços estavam cheios de arejos. Durante aquele dia, não me levantei.
Só no dia seguinte. Digo assim para mim:
− Nunca o revólver me negou fogo e porque é que mo negou anteontem?
E não é que eu estava a experimentar o revólver em frente da janela e ele disparou? As balas por pouco não atingiram a minha irmã na barriga.
Parecia que era o diabo que estava outra vez comigo. Andei incomodado, mesmo doente, com os beiços arrebentados, durante quinze dias.
_______________

APL 1003 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial – Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.HD3
Year: 2002
Place of collection: Peso Da Régua, Peso da Régua, Vila Real
Collector: Andreia Catilina Cardoso Monteiro (F)
Informant: Armando Monteiro (M), 80 y.o., Peso Da Régua (PESO DA RÉGUA),

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/fantasmas/maleficio-na-encruzilhada-1003 [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

LENDA DO SINO DE PRATA

Cumieira

Então, havia um sino de prata na torre da igreja e alguém de Vila Real resolveram cá vir tentar roubá-lo. Ó descer o sino, a coisa não correu como eles queriam, deixam-no cair e partiu. Ora, partiu. O povo acorda com aquele alvoroço todo, impuseram-se e recuperam o sino, não no deixam roubar. E o padre da freguesia da altura resolveu do sino fazer vários ornamentos para a igreja. Como cálices ou outras coisas no género.

Informante: Fernando Martins de Moura, 74 anos, Estalagem

in [2] Anexo 143 – pág. 208 [r.26.12.2020]

[2] ESTEVES DA SILVA, José Emílio, O Património Cultural da Freguesia da Cumieira (pdf), Dissertação de Mestrado em Ciências da Cultura, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, 2010

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

LENDA DA MOURA ENCANTADA DO FONTÃO


Loureiro & Godim

O ribeiro do Fontão desce lá de cima de Loureiro e vem ter ao ribeiro da Meia Légua, no Rodo. Era essa água que movia a azenha da Quinta do Rodo.

Conta-se que ali para os lados da entrada da Quinta do Casal, que dava para atravessar para Jugueiros, perto do sítio onde as mulheres da Costa do Vale lavavam a roupa, havia uma moura encantada na vinha da Adelaide Morais. Dizia-se que a moura aparecia ao meio-dia, a pentear os compridos cabelos loiros; mas, se alguém a visse, transformava-se imediatamente numa cobra e fugia para os buracos do ribeiro.
_______________

APL 3682 - Ref.ª [1]

Fonte: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.315
Ano: 2002
Local de recolha: Loureiro, Peso da Régua, Vila Real
Informante: Adelaide Fernandes (F)

in https://www.lendarium.org/pt/apl/encantadas-em-cobras/lenda-da-moura-encantada-do-fontao [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
Imagem da NET
_______________

LENDAS E NARRATIVAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

(Loureiro)

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

LENDA DO ROMÃO

Cumieira

Havia uma propriedade no Romão cujo dono ia regar lá todos os dias. A partir de uma certa altura, chegava lá, encontrava a poça vazia, outro dia vazia, outro dia vazia e resolveram, ele e mais vizinhos, resolveram guardar a ver quem lá ia à água. Quando no foi às páginas tantas viam um cavaleiro romano num cavalo. O cavalo parava em frente à poça e bobia a água da poça. Ora, o que é que ia fazer o cavaleiro? Encontrar-se com uma namorada.

Informante: Fernando Martins de Moura, 74 anos, Estalagem

in [2] Anexo 142 – pág. 207 [r.26.12.2020]

[2] ESTEVES DA SILVA, José Emílio, O Património Cultural da Freguesia da Cumieira (pdf), Dissertação de Mestrado em Ciências da Cultura, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, 2010

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

LENDA DE SANTA MARTA

Imagem 1

São Miguel de Lobrigos

Versão 1:
Lenda de Santa Marta

Um belo dia, um desconhecido cavaleiro de origem francesa que andava por terras de Panóias, o conde de Guillon, mandou incendiar uma capela branca erigida em honra a Santa Marta. 

Depois de ter cometido tão grande sacrilégio, apareceu-lhe a Santa que o castigou, mandando-o plantar uma vinha com a obrigação de a granjear. 

Cheio de remorsos e envergonhado nem quis ver a aparição e, curvado, tapou os olhos com as mãos. Ao descobri-los, o conde viu a seus pés um corvo, ave profética e sagrada de acordo com crenças antigas, símbolo do mau agoiro que pressente a morte com o seu grasnar. 

Virando-se para a cultura da terra e plantação da vinha, o conde foi cumprindo a sua pena ao longo do ano. Na vindima, mais feliz e com a sua alma em paz, ofereceu à Santa em sinal de arrependimento as uvas que foram fruto do seu ano de trabalho. 

Em vez de um corvo, que simboliza o mal, apareceram-lhe então pombas brancas e um cordeiro, símbolos da pureza e da reconciliação. 

Estava perdoado. 

E foi assim que o conde de Guillon se tornou no primeiro homem a granjear a vinha na região do Douro. 

Segundo a tradição popular, desde então a localidade se passou a chamar Santa Marta de Pena Guillon. 

Santa Marta de Penaguião não é mais do que a junção dos vocábulos Santa Marta (a santa), Pena (o castigo) e Guillon (o nome do cavaleiro francês). 
_______________

Por 'Eddo' (2011), em PENAGOYÃ – PORTAL (penagoyam.blogspot.com), https://penagoyam.blogspot.com/p/lenda-de-santa-marta.html, [2011]
_______________


Versão 2:
Lenda de Santa Marta

Reza assim a lenda...

Num belo dia, o Conde de Guillon, de origem francesa, mandou incendiar a capela em honra de Santa Marta, padroeira da Região Demarcada do Douro.

Depois de ter cometido tão grande sacrilégio, apareceu-lhe a Santa que o castigou, mandando-o plantar e trabalhar a vinha. Cheio de remorsos e envergonhado, tapou a face com a mão direita. Aos seus pés apareceu um corvo que simboliza o Mal.

Virando-se para a cultura da terra e plantação da vinha, foi cumprindo ao longo do longo ano a sua pena. Na vindima, mais contente, como mostra já o seu rosto iluminado, oferece à Santa as uvas que foram fruto do seu trabalho. A sua alma está agora em paz.

O Mal, representado pelo desgraçado corvo, desaparece para dar lugar às pombas brancas e ao cordeiro que representam a paz e a pureza.

E foi assim que o Conde de Guillon foi o primeiro a granjear a vinha na Região Demarcada do Douro.

Esta lenda deu origem a um lugar chamado de Santa Marta de Penaguião, que não será mais do que a junção das palavras Santa Marta, a Santa; pena, o castigo; e Guião, o mesmo que Guillon em francês.
_______________

in http://www.cavessantamarta.pt/pagina.asp?ID=37, [r.27.12.2020]
_______________

Versão 3:
Lenda de Santa Marta (de Penaguião)


Certo cavaleiro francês, um tal Conde de Guillon que andou por terras de Panóias, mandou queimar a capela de Santa Marta.

Consumado o acto sacrílego, a Santa apareceu-lhe ditando o castigo: que plantasse uma vinha, e cuidasse dela.

Arrependido e humilhado, nem quis ver a aparição e, curvado, tapou os olhos com as mãos, mas ao descobri-los, tinha a seus pés um corvo, ave profética e sagrada.

O contrito conde cumpriu a dura penitência, e ficou cheio de alegria na hora da vindima, porque nunca tinha produzido nada na vida.

Lembrou-se então de oferecer à Santa as uvas, fruto do seu suor, e em vez de um corvo, apareceram-lhe pombas brancas e um cordeiro, símbolos da pureza e da reconciliação.

Estava perdoado.

E dizem que, desde então, a localidade adoptou o nome: Santa Marta de Pena Guillon.

Que, segundo a tradução (e tradição) popular significa "Santa Marta de Pena (castigo) Guillon (Guião)".
_______________

in http://sigillum-militum-christi2.blogspot.com/2010/09/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao.html
Publicada pir Sigillum [https://www.blogger.com/profile/07429524778741453979], em 9/17/2010 [r.28.dez.2020]

_______________

Versão 4:
Santa Marta – Lenda


Lendas são lendas. Umas vezes com algum fundamento histórico, outras vezes nem por isso. Normalmente tentam encontrar uma explicação para a origem ou significado de certos topónimos, localidades, ou mesmo acontecimentos. Mais ou menos ingénuas, simples ou complexas, todas são graciosamente populares. No caso de Santa Marta de Penaguião, a mais conhecida e celebrada, assumiu mesmo lugar de destaque no vitral que Lino António pintou em 1945 para figurar na escadaria nobre da sede da Casa do Douro, em Peso da Régua, situando-se a sua representação iconográfica no lado esquerdo do painel central. Contemo-la, pois:

Certo e desconhecido cavaleiro francês, um tal Conde de Guillon, tendo invadido estas terras, mandou queimar a capela de Santa Marta. Consumado o ato sacrílego, a Santa apareceu-lhe ditando o castigo: que plantasse uma vinha, e cuidasse dela. Arrependido e humilhado, nem quis ver a aparição e, curvado, tapou os olhos com as mãos, mas ao descobri-los, tinha a seus pés um corvo, ave profética e sagrada, de acordo com crenças antigas, símbolo do mau agoiro que pressente a morte com o seu grasnar. O contrito conde cumpriu a dura penitência, e ficou cheio de alegria na hora da vindima, porque nunca tinha produzido nada na vida. Lembrou-se então de oferecer à Santa as uvas, fruto do seu suor, e em vez de um corvo, apareceram-lhe pombas brancas e um cordeiro, símbolos da pureza e da reconciliação. Estava perdoado. E, desde então, a localidade começou a ter um nome: Santa Marta de Pena (castigo) de Guillon. Que, segundo a tradução (e tradição) popular, veio a dar “Santa Marta de Penaguião”.(…)

Texto gentilmente cedido por Dr. Artur Vaz
_______________

in https://www.cm-smpenaguiao.pt/santa-marta/, [r.28.dez.2020]
_______________

Versão 5:
Lenda de Santa Marta de Penaguião

Há muitos muitos anos, viveu nesta região um conde francês chamado Guion. Um dia, este conde mandou incendiar a capela de Stª Marta.
Logo lhe apareceu a Santa que, para o castigar, lhe impôs uma pena: trabalhar a terra.
O conde não aceitou muito bem este castigo mas teve de o cumprir. À medida que o tempo foi passando ele começou a gostar do seu trabalho e quando chegou à vindima ofereceu a Stª. Marta o fruto do seu trabalho: as uvas. Então, aquela localidade passou a chamar-se Stª. Marta de Penaguião (pena + guion).

Esta lenda está representada no vitral central da Casa do Douro da esquerda para a direita. O corvo, símbolo do mal, que acompanha sempre o conde dá lugar a pombas e a um cordeiro, símbolos da paz e da fertilidade, quando o conde ofereceu o fruto do seu trabalho à Santa.

Alunos do 4º ano da turma C
_______________

in http://eb1favaios.blogspot.com/2009/05/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao.html 11.mai.2009, [r.28.dez.2020]
_______________

Versão 6:
Lenda de Santa Marta de Penaguião


“Certo e desconhecido cavaleiro francês, um tal Conde de Guillon que andou por estas terras, mandou queimar a capela de Santa Marta. Consumado o acto sacrílego, a Santa apareceu-lhe ditando o castigo: que plantasse uma vinha, e cuidasse dela. Arrependido e humilhado, nem quis ver a aparição e, curvado, tapou os olhos com as mãos, mas ao descobri-los, tinha a seus pés um corvo, ave profética e sagrada, de acordo com crenças antigas, símbolo do mau agoiro que pressente a morte com o seu grasnar.

O contrito conde cumpriu a dura penitência, e ficou cheio de alegria na hora da vindima, porque nunca tinha produzido nada na vida. Lembrou-se então de oferecer à Santa as uvas, fruto do seu suor, e em vez de um corvo, apareceram-lhe pombas brancas e um cordeiro, símbolos da pureza e da reconciliação. Estava perdoado. E, desde então, a localidade começou a ter o nome: Santa Marta de Pena Guillon. Que, segundo a tradução popular quer dizer “Santa Marta de Pena (castigo) Guillon” (traduzido para Guião). 

Mas o nome Marta tem ainda outra explicação e proveniência

Marta, irmã de Maria Madalena e Lázaro, todos conhecidas personagens bíblicas, é o símbolo do trabalho e, talvez por isso, a protectora escolhida da Região Vinhateira do Douro. O seu dia litúrgico celebra-se a 29 de Julho, e na representação iconográfica aparece-nos como diligente dona de casa (também é padroeira das donas de casa) e com os seguintes atributos: uma vassoura, uma concha de sopa, ou um molho de chaves na mão.

Santa Marta tornou-se hagiotopónimo (ou topónimo com o nome da Santa) ligado a uma devoção muito antiga (pré-nacional), e divulgada na Idade Média (ou Cristã). Já antes da Nacionalidade o culto era dos mais antigos na Península, sobretudo no norte que viria a ser de Portugal.

Protectora (como se disse) da Região Demarcada do Douro, o papel de ofício utilizado pelo provedor e deputados da Junta da Administração da Companhia-Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (criada por Pombal, e instituída por alvará régio de 10 de Setembro de 1756) utilizava o Selo ou, como se diria hoje, o Logotipo da Instituição com a efígie da Santa e no fundo uma videira com a seguinte inscrição latina: “Providentia Regitur”, que quer dizer: a Divina Providência governa (ou rege) tudo.

Santa Marta encontra-se reproduzida em belo vitral no edifício da Casa do Douro, no Peso da Régua, pela mão do Pintor Lino António. Este foi acabado em 1945 e sintetiza toda a dinâmica e beleza desta região, tem uma área aproximada de 50 m² formando um tríptico. No painel do centro podemos ver três grandes figuras. 

A figura do centro representa a Casa do Douro, e mostra um pergaminho onde se lê “…Casa do Douro, decreto 21 883, Novembro de 1932”. Quer isto dizer, que o governo, através do referido decreto-lei, cria a Federação Sindical dos Viticultores da Região do Douro, em Novembro de 1932, hoje Casa do Douro. 

A figura da esquerda representa a agricultura tendo aos seus pés uma enxada de ganchos. E a figura da direita simboliza o comércio e tem na mão um caduceu. As figuras de mãos dadas simbolizam o pacto de honra e cavalheiros, entre a produção e o comércio do Vinho do Douro. 

Na parte superior esquerda, está a capela devota de Santa Marta, padroeira do Douro. 

Na parte superior, ao centro do painel, estão as cinco quinas de Portugal e o símbolo da Casa do Douro. Da esquerda para a direita, é-nos dado observar várias datas que foram importantes para a história do Douro. 

O painel da esquerda, dedicado à agricultura, mostra, através das figuras e paisagens características da região Duriense, a faina típica da vindima, o transporte e a pisa. 

O painel da direita, dedicado ao comércio, mostra a cidade do Porto, donde provém o nome por que é conhecido o vinho generoso do Douro, e os meios de transporte usados na época. 

E Penaguião terá adaptado o seu nome, “Santa Marta de Penaguião”, erigindo-lhe uma capela que deu nome ao lugar. 

Santa Marta, Vila da freguesia (sede) de Lobrigos, tem outro padroeiro: S. Miguel-o-Anjo, mas Marta ficou sempre na boca (e no coração) do povo crente e diligente de Penaguião”.
_______________

in https://santamartadepenaguiao.wordpress.com/2011/03/29/hello-world/, [r.28.dez.2020]
_______________

Imagem da Net 1 - Foto de Vitor Neves - Excerto do vitral, painel central, existente no edifício da Casa do Douro, Peso da Régua, do Pintor Lino António, onde se encontra relatada a lenda. Vitral de 1945

Imagem da Net 2 - Excerto do vitral, parte esquerda do painel central, existente no edifício da Casa do Douro, Peso da Régua, do Pintor Lino António, onde se encontra relatada a lenda. Vitral de 1945

Imagem da Net 3 - Excerto do vitral, parte direita do painel central, existente no edifício da Casa do Douro, Peso da Régua, do Pintor Lino António, onde se encontra relatada a lenda. Vitral de 1945
_______________

Nota Imagem 1
LENDA DE SANTA MARTA
Painel central do vitral existente na Casa do Douro, Peso da Régua.

Nota Imagem 2
Parte do vitral, lado esquerdo do painel central, onde estão representados
a Capela a arder, Santa Marta, o Conde de Guião e o corvo.

Nota Imagem 3
Parte do vitral, lado direito do painel central, onde estão representados
o Conde de Guião a oferecer as uvas à Santa, o Cordeiro e as 3 pombas.
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

LENDA DA SANTA CUSTÓDIA

Cumieira

O padre binha de Folhadela e depois dezia:
- Quem quisesse saber se os filhos viviam ou morriam, que agarrassem, quando estão doentes, numa camisinha e fossem botá-la onde está a Sagrada Custódia afogada, que é no entre rios, ó vir da Bila (na junção do rios Corgo e Sordo).

E o padre era o que nos dezia a nós:
- A Santa Custódia afogaram-na no entre rios e está ali um milagre. Todas as mães o podem fazer que no há médico que faça milagre. Elas quando têm uma criancinha de mama e que está muito doentinha, muito chiopinha, tira-lhe uma camisinha, leva-a com ela e vai lá e bota a camisinha. Se a camisinha for pela áuga abaixo a criancinha no morre, se a camisinha for abaixo, a Nossa Senhora vá p’ró pé dela, no binga.

Informante: Ana Cunha, 89 anos, Cancelo
_______________

in [2] Anexo 141 – pág. 207 [r.26.12.2020]

[2] ESTEVES DA SILVA, José Emílio, O Património Cultural da Freguesia da Cumieira (pdf), Dissertação de Mestrado em Ciências da Cultura, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, 2010

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

SANTA MARTA DE PENAGUIÃO (D. TEDO E D. RAUSENDO I)


São João de Lobrigos

Diziam os mais antigos que as origens de Santa Marta de Penaguião estão ligadas aos irmãos D. Rausendo e D. Tedo, dois heróis muito famosos nas terras do Douro, onde combateram os mouros expulsando-os da região.

Conta a lenda que os mouros, quando invadiram estas terras, construíram uma fortaleza num morro próximo da vila, onde já só há ruínas. Aí dificilmente alguém se atreveria a combatê-los. Só com muita coragem.

E coragem era o que não faltava a D. Rausendo e D. Tedo. Por isso, o povo, cansado do domínio dos mouros e dos seus tributos, um dia pediu-lhes ajuda. E os dois irmãos não hesitaram em responder ao apelo.

Em segredo, juntaram numa noite de lua cheia os mais audazes da povoação, e colocaram-nos num local estratégico a meio da encosta. E os dois irmãos, com uma bandeira nas mãos, disseram:
− Esta bandeira será o vosso guião! Quando a virdes colocada na penha, avançai que a entrada estará livre. E Santa Marta, vossa padroeira, há-de acompanhar-nos!

Os dois escalaram então o castelo, e surpreenderam os mouros que estavam de sentinela, matando-os sem que tivessem podido dar o alarme. E de seguida, enquanto um dos irmãos abriu as portas do castelo, o outro foi ao alto da penha e colocou a bandeira bem à vista.

Nisto, no esconderijo da ladeira, um dos moradores logo deu o alerta aos companheiros:
− Vejam! Na penha... o guião!

Foi o bastante para que todos irrompessem pela encosta, entrando no castelo, onde, pela surpresa e com o auxilio de D. Rausendo e D. Tedo, venceram os mouros, expulsando os que escaparam com vida.

E àquele grito de alerta − “na penha... o guião! − se deve o nome que, primeiro, foi “Penha-guião” e, depois, se simplificou em Penaguião. E porque a bandeira os guiou e Santa Marta os acompanhou, depressa a vila ficou com o nome de Santa Marta de Penaguião.
_______________

APL 3688 - Ref.ª [1]

Source: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.320-321
Year: 2002
Place of collection: Lobrigos (São João Baptista), Santa Marta de Penaguião, Vila Real

Narrative
When: 12 Century,

in https://www.lendarium.org/pt/apl/toponimos/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

ENTRE SÃO PEDRO E URVAL

Sever

Diz a tradição, pela voz dos mais antigos destas terras, que por baixo do caminho que vai do lugar de S. Pedro ao lugar da Veiga, passando pelo Urval, no concelho de Santa Marta de Penaguião, numa zona de férteis paisagens vinhateiras, há uma mina dos mouros, por onde eles andavam e onde está enterrada grande riqueza em ouro. E também se diz que a riqueza é de tal valor que, antigamente, os mais velhos usavam o seguinte ditado: entre S. Pedro e Urval está a riqueza de Portugal.
_______________

APL 3689 - Ref.ª [1]

Source: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.321-322
Year: 2001
Place of collection: Sever, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
Informant: Pe. Manuel Joaquim Mourão (M), 63 y.o.,

Narrative
When: 20 Century,

in https://www.lendarium.org/pt/apl/tesouros-escondidos/entre-s-pedro-e-urval [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

A PERNA DA ALMA PENADA

Fornelos

Contam os mais antigos da aldeia de Fornelos, Santa Marta de Penaguião, que uma mulher, tendo saído de casa, altas horas da noite, à procura de lume para acender a lareira, encontrou uma estranha e silenciosa procissão de velas à volta do adro da igreja. Como precisava de lume, foi pedi-lo a um dos que a incorporavam, o qual lhe colocou nas mãos a sua vela acesa.

A mulher foi para casa, acendeu o lume e, depois de apagar a vela, guardou-a numa caixa debaixo do escano. No dia seguinte, ao abrir a caixa, o que lá encontrou não foi a vela, mas sim uma perna. Nada mais nada menos que a perna de uma pessoa. Muito aflita, foi ter com o padre e contou-lhe o sucedido. O padre, depois de muito meditar, disse-lhe:
− Vai para casa e guarda essa perna contigo. Dentro de uma semana, esperas pela noite e vais à mesma hora ao adro da igreja entregá-la àquele que vires a coxear na procissão.

A mulher assim fez. O vulto que coxeava recebeu a perna, em silêncio, e colocou-a no seu lugar. Depois, já sem coxear, voltou para a procissão e desapareceu. 

Diz o povo que nessa procissão andavam as almas penadas da aldeia a cumprir a sua passagem pelo Purgatório.
_______________

APL 2186 - Ref.ª [1]

Source: PARAFITA, Alexandre, O Maravilhoso Popular - Lendas, contos, mitos, Lisbon, Plátano Editora, 2000, p.64
Place of collection: Fornelos, Santa Marta de Penaguião, Vila Real

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/procissao-das-almas/a-perna-da-alma-penada [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

A MOURA QUE VARRE

São Miguel de Lobrigos

Sempre ouvi contar aos antigos que num local denominado Viso, junto à margem esquerda do rio Corgo, entre as freguesias de S. Miguel de Lobrigos e de Alvações do Corgo (S. M. Penaguião), há um encanto numa fraga. Dizem que é uma moura encantada em serpente e a guardar um pote de moedas de ouro.

Tem-se ouvido também dizer que à entrada da fraga está sempre tudo muito limpo e varrido, e que é a moura que varre. Contaram-me que há quem tenha por lá passado num dia com o gado, deixando o chão todo sujo, mas ao outro dia aparece tudo muito varrido.

Diz-se também que a rocha dá entrada para uma mina, e que, entrando lá, se acham umas escadas em pedra, cavadas na rocha. Quem lá entrou, só entrou até certa altura, pois a partir daí o medo é grande. Até dizem que já houve quem pegasse no pote cheio de moedas, mas que o medo foi tanto que logo deitou tudo a perder.
_______________

APL 3690 - Ref.ª [1]

Source: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006, p.322
Year: 2001
Place of collection: Lobrigos (São Miguel), Santa Marta de Penaguião, Vila Real
Informant: Francisco Morais (M), 40 y.o.,

Narrative
When: 20 Century,

in https://www.lendarium.org/pt/apl/tesouros-encantados/a-moura-que-varre [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

A MOURA ENCANTADA DO RIO DO RECHÃO

Cumieira

Contam os velhos de Justos que, há uns anos atrás, apareceu uma moura encantada sentada numa mesa sobre as águas do rio Rechão. Ela pediu a um homem que passava que fosse buscar o mais rápido possível uma aguilhada a sua casa para lhe quebrar o encanto. Como paga, ela deixava-lhe o tesouro que tinha escondido debaixo das águas.

O homem, com a mira no tesouro, lá foi. Mas como a casa ainda era longe, a moura começou a chorar, pois o homem não chegaria a tempo. Quando o homem chegou com a aguilhada, ela já tinha ido por água abaixo sentada na mesa.
_______________

APL 1021 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.ME8
Year: 2002
Place of collection: Cumieira, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
Collector: Neuza Maria Sequeira Pereira (F)
Informant: Palmira Alves (F), 77 y.o.,

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/tesouros-encantados/a-moura-encantada-do-rio-do-rechao [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

A FILHA BRUXA

Fornelos

Um casal teve duas filhas e uma delas era bruxa. Um dia, a menina que não era bruxa aproximou-se do pai e disse-lhe:
− Meu pai, a Maria esta noite foi muito fria para a cama e ultimamente tem andado muito esquisita.

E o pai respondeu:
− Será que a minha filha é bruxa?

Então, desconfiado, pôs-se no dia seguinte a espreitá-la e viu-a a benzer a irmã. O pai disse para si mesmo:
− Ai, que a minha filha é mesmo bruxa!

Sem pensar duas vezes, pegou numa aguilhada e foi para trás da porta.
Seguidamente, aparece-lhe um porco na sala e ele, com a aguilhada, picou-o. O animal transformou-se logo na filha, que apareceu toda nua e a chorar ao pé dele.
O pai, ao ver o estado da filha, disse-lhe:
– Pronto, já passou. Eu quebrei-te o encanto minha rica filha!
_______________

APL 990 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.B2
Year: 2002
Place of collection: Fornelos, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
Collector: Neuza Maria Sequeira Pereira (F)
Informant: Palmira Alves (F), 77 y.o.,

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/bruxas/a-filha-bruxa [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

A AVÓ BRUXA

Cumieira

Um casal, sempre que lhe nascia um filho, na véspera do baptizado, depois de estar a despesa da cerimónia toda feita, via a criança morrer sem saber de que doença. O homem jurou que, quando nascesse o próximo filho, havia de descobrir quem o queria matar.

Nasceu um novo filho. Na véspera do baptizado, a mãe ficou a vigiar o berço até à meia-noite e o pai daí em diante.

Quando chegou a vez do marido, ele sentou-se ao pé do berço e ficou de vigília, à espera que alguma coisa acontecesse. A certa altura, apareceu uma almotolia: tomba aqui, tomba ali, à volta do berço. O homem chamou a mulher:
− Anda cá depressa! Anda aqui uma almotolia à volta do berço do menino. Será ela que mata os nossos filhos?
− Ó homem, manda-a já pela janela fora antes que haja outra desgraça! O homem apressou-se a lançar a almotolia pela janela fora com toda a força. Ouviu a voz da mãe a queixar-se:
− Ai, filho, que me partiste um braço!
− Se soubesse que vossemecê era bruxa, havia ainda de a atirar com mais força!
− disse o homem. − Então era a mãe que matava os meus ricos filhos?
Cheia de dores, a mãe respondeu-lhe:
− Ó filho, eu só queria fazer-te rico. Com tantos filhos, como é que endireitavas a vida?
_______________

APL 989 - Ref.ª [1]

Source: AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial – Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro, 2003, p.B1
Year: 2002
Place of collection: Cumieira, Santa Marta de Penaguião, Vila Real
Collector: Neuza Maria Sequeira Pereira (F)
Informant: Palmira Alves (F), 77 y.o.,

Narrative
When: 20 Century, 90s

in https://www.lendarium.org/pt/apl/bruxas/a-avo-bruxa [r.26.12.2020] [1]

[1] Arquivo Português de Lendas (APL), base de dados do CEAO - Centro de Estudos Ataíde de Oliveira, da Universidade do Algarve (PTDC/ELT/65673/2006), em www.lendarium.org
_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

A MOURA ENCANTADA DO FRAGÃO - POUSADOURO I

Medrões, Moura Morta

Será que alguém conhece a Lenda da Fraga da Moura, "onde uma Moura Encantada se ia pentear..."? Esse fraga não é nada mais nada menos que o fragão que fica nas imediações do Pousadouro, Medrões, junto ao Caminho do Fragão que liga o referido Pousadouro ao lugar da Mó, Medrões, perto do lugar da Portela de Moura Morta. 












_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
COLECTÂNIA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share:

RECOLHA DE LENDAS E NARRATIVAS DOS NOSSOS AVÓS


Lendas de Terras de Penaguião
Recolha de Lendas e Narrativas dos Nossos Avós 
"de subtus Monte Pena Guian"

Ver em
https://lendasdeterrasdepenaguiao.blogspot.com/
https://www.facebook.com/Lendas-de-Terras-de-Penagui%C3%A3o-104308221548403

Share:

AGRADECIMENTOS


Deixo aqui os meus sinceros agradecimentos pela ajuda, pelas dúvidas desfeitas, pelo tempo que comigo perderam, por me terem aturado... aos meus amigos

Anabela Morais
Bruno Miguel
Francisco Teixeira

e em especial à minha mulher
Natália deQueiroz.

Relembro também os meus filhos, os meus pais e os meus avós.

_______________

LENDAS DE TERRAS DE PENAGUIÃO
[de subtus monte Pena Guian]
COLECTÂNIA - RECOLHA

Textos, Estudos, Recolhas & Contributos…
Colectânea de Textos & Outros… 

“Se não defendermos o que é nosso, quem é que o defende?”

2020 - 2021
PENAGUIÃO

Eduardo José Monteiro deQueiroz
by Douro Sensibility | LUAgares D'Ouro
Associação Penaguião em Movimento
Share: